Igreja dos Congregados

Situada na freguesia portuense de Santo Ildefonso, a Igreja dos Congregados nasce nos finais do século XVII aproveitando uma capela anterior, iniciada em 1662, e que se destinava a sede da Confraria de Santo António de Lisboa.
Esta confraria doara, anteriormente, ao município portuense o terreno da capela, com a condição da câmara erguer o edifício religioso e proceder à feitura do retábulo-mor. A capela seria terminada em 1680, mas a confraria antoniana nunca viria a instalar-se nela, já que a câmara procedeu à sua doação, mediante condicionantes, a favor dos padres da Congregação de S. Filipe Nery dos Clérigos Reformados do Oratório. Assim, em 1694 arrancava a construção da nova Igreja e dependências conventuais dos Congregados, empreendimento terminado próximo do ano de 1703.
A liberal extinção das ordens religiosas em 1834 conduziu à venda do cenóbio, torre e sacristia a um particular. Profanada a sua igreja e destinada a outros fins menos próprios, a igreja foi, em 1836, novamente entregue à Confraria de Santo António de Lisboa. Pouco tempo depois, já consagrado, o templo dos Congregados abriria ao culto. No entanto, as dependências conventuais não subsistiram até aos nossos dias. Concebida dentro do austero e imponente barroco dos finais do século XVII, a fachada dos Congregados é dividida em dois pisos. O primeiro piso, em silharia aparelhada, apresenta a porta principal formada por arco de volta perfeita assente em pilastras terminadas por pirâmides com esferas, sobreposto por frontão curvilíneo interrompido, tendo ao centro um escudo coroado com um monograma Mariano. Ladeando o portal estão duas janelas gradeadas, de verga reta e remate superior em frontão curvo.
No piso superior, ritmados por pilastras toscanas, rasgam-se três janelões emoldurados por cartelas e rematados por frontões curvos nos dois laterais, enquanto o central é de configuração triangular. Imponente e ressaltado frontão triangular forma a empena da igreja, rematado por uma cruz latina. No seu tímpano inscreve-se um movimentado nicho axial de linhas curvas, onde se insere uma escultura de Santo António. Os panos parietais do piso superior e do tímpano são cobertos por modernos azulejos, da autoria de Jorge Colaço e alusivos à vida de Santo António, expressando ainda diversos símbolos eucarísticos. As janelas da fachada apresentam vitrais realizados por F. Mendes de Oliveira e fabricados, em 1929, localmente na Fábrica Antunes, versando temas marianos e cristológicos.
O interior do templo é constituído por uma só nave coberta por abóbada de tijolo, sustentada por duplas pilastras dóricas. Sobre a entrada desenvolve-se o coro fechado por balaustrada em jacarandá, assente em três arcos suportados por colunas jónicas.
A abóbada e as paredes laterais da nave estão pintadas com motivos barrocos contrastantes em claro-escuro. Dois altares - de Santo António e de N. Sra. Auxiliadora - estão colocados sob o coro da entrada. Lateralmente, nas paredes da nave, abrem-se nichos retabulares ao gosto da estética neoclássica.
Na cabeceira, os retábulos colaterais são em talha dourada, obra setecentista de transição do barroco pleno para o "rocaille" - bem assim como a sanefa do arco triunfal -, contendo algumas imagens sagradas de madeira e diversas relíquias de santos.
A capela-mor encontra-se mergulhada na penumbra, isto apesar do lanternim construído no topo da sua abóbada. As suas paredes apresentam pilastras jónicas delimitando dez modernas pinturas de Acácio Lino, alusivas à vida de Santo António. O retábulo-mor inscreve-se na arte neoclássica oitocentista, contendo as esculturas de Santo António, S. Filipe Nery e ainda a tela Assunção da Virgem, da autoria de João Batista Ribeiro. O frontal de altar e a sua banqueta são de prata, encomenda executada em meados de Oitocentos. Destinados aos membros da confraria antoniana é o cadeiral do século XIX, concebido em pau preto.
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