Igreja dos Terceiros de S. Francisco (Viseu)

Numa das zonas centrais e movimentadas de Viseu localiza-se um dos templos mais tranquilos e bonitos desta cidade beirã. Trata-se da Igreja dos Terceiros de S. Francisco, templo edificado ao longo do século XVIII e terminado no ano de 1773.
Marcada pela linguagem triunfante do barroco setecentista, esta igreja viseense foi riscada por António Mendes Coutinho, arquiteto de Lamego e que foi discípulo do italiano Nicolau Nasoni.
Erguida num amplo e elevado espaço de um parque natural da cidade, a igreja franciscana é antecedida por uma monumental escadaria de vários patamares. Delimitada por dois cunhais de pedra e rematados por duas urnas, a sua frontaria é uma soberba obra do barroco setecentista, desde logo rasgada por um portal grandioso, composição formada por arco ondeado e enquadrado por duas pilastras, sobre as quais se desenha um frontão interrompido moldurando um escudo central relevado com os símbolos franciscanos, rematado superiormente por frontão de linhas mistilíneas. Lateralmente e num plano mais elevado, abrem-se dois movimentados janelões de aventais moldurados e ondeados, sobrepujados por frontões triangulares. Acima do portal nobre está um óculo quadrifoliado, de moldura ondeada e reentrante. A empena desenha linhas contracurvadas e termina axialmente num frontão triangular, sobre o qual está um plinto com uma cruz latina. Num plano ligeiramente recuado à fachada, fechando o seu lado norte, eleva-se a torre sineira quadrangular, protegida por uma balaustrada e coberta por uma cúpula bolbosa.
Espaço amplo e bonito é também o seu interior, constituído por corpo retangular e cabeceira octogonal. O corpo é formado por uma só nave coberta por uma abóbada de berço. As suas paredes são revestidas por um silhar de azulejos figurados de tonalidades azul e branco, obra de uma oficina conimbricence do século XVIII e que conta doze episódios da vida de S. Francisco.
O trabalho compositivo dos altares e retábulos da igreja é feito de uma forma semelhante, obras barrocas da segunda metade do século XVIII formadas por talha dourada e policromada, recorrendo à multiplicidade colorida da pintura imitando os veios do marmoreado. Na parte superior das suas paredes podem-se observar diversas telas hagiográficas barrocas, todas elas enquadradas por magníficas molduras douradas rocaille. A nível escultórico, o destaque vai para um seiscentista Senhor dos Aflitos.
A capela-mor é coberta por uma cúpula octogonal, tendo na parte superior das paredes duas varandas interiores de bom nível, com o seu jogo entre o lavor da pedra e o cromatismo do marmoreado em conjugação com a douradura. No primeiro andar desta capela-mor está localizada a Casa do Despacho, espaço onde se encontra um pequeno museu, cujas paredes são forradas por belas tapeçarias setecentistas de Tunes, podendo ainda admirar-se elegantes peças de mobiliário do século XVIII - destacando-se deste conjunto duas cómodas da mesma época.
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