Igreja Matriz da Nazaré

Fronteira a uma ampla praça da parte alta da Nazaré, denominada de "Sítio", ergue-se a Igreja Matriz - servindo, igualmente, como Paroquial de N. Sra. da Nazaré e comummente designada por Igreja do Milagre, pois situa-se nas proximidades do rochedo onde aconteceu o lendário e milagroso salvamento de D. Fuas Roupinho.
A Paroquial de N. Sra. da Nazaré ocupa o espaço de um anterior templo medieval erguido em 1377, durante o reinado de D. Fernando. No tempo de D. Manuel I foram realizados novos melhoramentos, mas o atual perfil da matriz nazarena corresponde a uma reconstrução realizada entre 1680 e 1691.
A igreja sobressai no centro de uma vasta edificação, sendo os dois corpos laterais ocupados por um hospital. Uma escadaria precede a galilé da fachada principal, constituída por cinco arcos de volta perfeita, sendo o central de maior altura e aparato. Acima deste pórtico alpendrado ergue-se a frontaria composta por empena triangular, tímpano preenchido por relógio e remate de cruz latina. Flanqueiam-na duas alteadas torres sineiras, de linhas barrocas e cobertas por sinuosas cúpulas com pináculos. Na cobertura externa, ao nível do cruzeiro, destaca-se uma cúpula com lanternim.
O interior é constituído por uma ampla nave coberta por teto de madeira pintado. A tribuna do coro assenta sobre poderosas colunas, estando no seu espaço um cadeiral que veio do Mosteiro de Cós. As paredes da nave e do transepto são revestidas por silhares de azulejos de tons de azul e branco, narrando episódios do antigo Testamento. Este revestimento cerâmico foi realizado pelo holandês W. Van der Kloet, possivelmente nos finais do século XVII. Formando conjunto com os azulejos estão quatro altares laterais, respetivamente consagrados a Sto. António, Sant' Ana, S. Francisco Xavier e S. Joaquim. No cruzeiro situam-se os dois colaterais, expondo modernas imagens do Cristo Rei e de N. Sra. de Fátima.
Precedida por arco triunfal que é preenchido por uma aparatosa estrutura de talha dourada com a coroa real, a capela-mor abriga um retábulo barroco de talha dourada com embutidos de mármore, composição dos finais de Seiscentos e que foi, provavelmente, trazida do Mosteiro de Cós. A tribuna é fechada por uma tela representando a Aparição de N. Sra. da Nazaré a D. Fuas Roupinho. No trono está colocada uma imagem da Virgem com o Menino, com ambas as figuras coroadas por diademas dourados, obra oferecida por D. João VI. Em nichos laterais estão esculturas de madeira representando S. Brás, S. Francisco, S. Domingos de Gusmão e Sto. Amaro.
As paredes da sacristia são preenchidas por painéis de azulejos azuis e brancos do século XVIII, figurando diversos profetas - revestimento cerâmico realizado pelo artista Manuel Borges.
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