Igreja Matriz da Póvoa de Varzim

Importante porto piscatório do Douro Litoral, a cidade da Póvoa de Varzim possui uma interessante Igreja Matriz construída em pleno periodo do Barroco setecentista. Com efeito, o templo foi erguido entre 1743 e o ano de 1757, obra dirigida pelo arquiteto bracarense Manuel Fernandes da Silva até ao seu falecimento, ocorrido em 1753. Os últimos quatro anos foram orientados por uma equipa de mestres de obras formada por Domingos da Costa, João Moreira e José Fernandes Lucas.
Ao longo dos cerca de 14 anos que transcorreram até à conclusão da empreitada, D. João V autorizou que uma pequena percentagem dum imposto municipal fosse afetada para a subsidiar, contribuindo também os poveiros com uma parte dos seus rendimentos.
A fachada é composta por linhas exuberantes da arte barroca do século XVIII, possuindo duas altaneiras torres sineiras ladeando a parte central da frontaria - encimada por um frontão recortado -, onde se rasga um aparatoso portal rocaille. Este é sobrepujado por um brasão real, sobre o qual se abre um nicho moldurado por volutas e ladeado por janelas de frontão triangular, albergando uma imagem da Virgem em pedra. O interior apresenta corpo amplo composto por nave única, coberta por abóbada de berço e reforçada por três robustos arcos torais. As paredes laterais são decoradas por nove altares do Barroco Joanino, em talha dourada, expondo belas esculturas sagradas setecentistas, obras barrocas em madeira estofada e policromada.
A capela-mor possui um opulento retábulo do estilo rocaille, da segunda metade do século XVIII, composto por estrutura de seis colunas decoradas com finos lavores florais e capitéis compósitos, encimado por remate ornado por concheado, cabeças de anjos e outros movimentados motivos contracurvados. A tribuna apresenta uma pintura de "N. Sra. da Conceição e da Santíssima Trindade", obra de grandes dimensões executada por um pintor menor da segunda metade de Setecentos.
Fazendo parte integrante do espólio da matriz poveira estão alguns paramentos, com destaque para uma casula de damasco verde, do século XVI, mostrando requintado trabalho de bordado a seda nas costas, enquanto o peitoral mostra sebastos. Também se guarda uma vara de juiz, alfaia do século XVIII em prata e que pertence à Confraria do Coração Agonizante de Jesus, bem assim como uma escultura devocional do século XVII de N. Sra. da Boa Viagem.
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