Igreja Matriz de Anadia

O atual edifício da igreja paroquial de Anadia, de invocação a S. Paio, é fundamentalmente resultado de duas intervenções de vulto - uma sofrida nos inícios da centúria de Setecentos, na capela-mor e nave; a outra na frontaria e torre, datada da segunda metade do século XVIII.
A fachada, de simples traço, é dominada pelos cunhais ressaltados e por uma porta rasgada de vão curvo, sobrepujada por janela ondulada e rematada por cornija interrompida, também ela curva. À direita, a altiva torre sineira mostra cobertura de plano quadrado e perfil bojudo, rematada nos ângulos por fogaréus.
Num dos panos da torre encontra-se uma inscrição importante, datando a construção da fachada e torre sineira e revelando-nos o seu encomendante: Lourenço da Gama de Abreu e Lima, fidalgo capelão da Casa Real, que à sua custa e devoção a mandou fazer, sendo prior desta igreja no ano de 1770. Ao lado esquerdo da fachada anexou-se a capela batismal, que encerra uma interessante pia do século XVIII. O interior é de nave única e sem altares colaterais, mas tem o seu espaço marcado por arcos rasgados na parede.
Na capela-mor aparece-nos outra inscrição, que nos data a sua reforma de 1730. O arco cruzeiro e os nichos nele abertos, assim como o teto da ousia, são obras modernas. O retábulo-mor, em talha dourada dos séculos XVII-XVIII, foi repintado nos finais de Oitocentos. É composto por colunas espiralados e arcos torsos ornados com parras. De salientar na capela-mor os azulejos historiados de fabrico coimbrão e datados de 1747. Neles retratam-se quatro cenas eucarísticas - Cristo em casa de Marta, a Refeição Pascal dos Israelitas, Anjo trazendo pão a Elias e a Arca da Aliança amparada por dois anjos.
Merecedor de atenção no corpo da igreja é o púlpito em pedra, dos finais do século XVII, com bacia ornada por duplo revestimento de folhagem acantiforme.
Possui ainda esta igreja, a nível escultórico, alguns exemplares muito interessantes, como as imagens em calcário da oficina de Coimbra, da segunda metade do século XVI, representando S. Pedro e S. João Batista colocados nos nichos do arco cruzeiro.
Na sacristia encontra-se uma belíssima e curiosa escultura de vulto perfeito quatrocentista, representando a Virgem do Leite com o Menino. Nossa Senhora, de expressão vaga mas sorridente, aparece trajada à jovem burguesa da época. Originalmente, a Virgem dava o peito ao Menino, tendo sido este, posteriormente, amputado por falso pudor. Apesar de as formas anatómicas serem sugestionadas pelas vestes, a imagem apresenta boa plasticidade. De salientar uma outra imagem em pedra, de vulto redondo, representando um Santo Bispo da Igreja. É apresentado de pé, em posição frontal, numa atitude serena transmitida pelos traços do rosto.
Na escultura de madeira merece o nosso olhar um S. Martinho Bispo, com um menino aos pés, setecentista; também da mesma época, uma Santa Luzia. A imagem do padroeiro S. Paio, à esquerda no altar-mor, é também do século XVIII (segunda metade); apesar de ser representado sem muito detalhe, mostra um bom efeito plástico. Interessante e igualmente da mesma época é uma barroca Nossa Senhora com o Menino.
A paroquial de S. Paio guarda ainda boas peças de prata, como uma custódia e uma cruz processional setecentistas.
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