Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis

Tendo por titular S. Miguel, a Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis é um edifício religioso de grande e largo porte, obra iniciada nos princípios de Setecentos e prolongada entre os anos de 1719-1729. Anteriormente, a Matriz desta vila do distrito de Aveiro localizava-se no sítio do Passal. A atual ergue-se na zona norte do núcleo antigo, numa pequena elevação vencida por uma escadaria frontal.
As remodelações efetuadas ao longo do século XIX não lhe alteraram significativamente o seu perfil barroco, mas o mesmo não podemos afirmar dos painéis de azulejos colocados este século na frontaria do templo.
A fachada é larga e austera, equilibrada no seu jogo de formas decorativas e volumes arquitetónicos, unificada e dividida por longas pilastras. O portal é ladeado por pilastras e apresenta forte entablamento retangular, sendo encimado lateralmente por dois pináculos. Ao centro é sobrepujado por aparatoso nicho com frontão triangular interrompido, albergando a imagem calcária e setecentista de S. Miguel lutando contra o Demónio. Em ambos os lados erguem-se as torres com aberturas sineiras e cobertas por cúpulas marcadas por pináculos, ao nível da cimalha. Frontão triangular com óculo e sobrepujado por cruz latina definem a empena central. Os panos da fachada central e das torres são ritmados por dois andares de janelas, de diferentes dimensões, com frontões curvos e triangulares, interrompidos e preenchidos por um pináculo esférico ou uma cruz.
O interior é amplo e de nave única, com teto em estuque branco e paredes forradas com lambrins de azulejos industriais, agrupando-se no transepto e na cabeceira da igreja os seus motivos artísticos de maior impacto. O arco do cruzeiro, de volta perfeita, é demarcado por duas elevadas pilastras da ordem toscana, submergido por uma aparatosa sanefa de linhas curvas e contracurvadas, de acordo com a profusa decoração barroca da segunda metade do século XVIII.
Esta zona é engrandecida por uma série de cinco monumentais retábulos em talha dourada. O retábulo-mor é uma boa composição do Barroco Joanino, obra de talha dourada executada pelo mestre entalhador portuense Luís Pereira da Costa, que adjudicou esta empreitada no ano de 1731. As mísulas dos intercolúnios retabulares sustentam imagens setecentistas em madeira, de S. Pedro e S. Miguel. O camarim é fechado por uma grande tela coetânea representando a "Ressurreição de Cristo", obra do pintor portuense Marques da Silva Oliveira.
Os dois retábulos colaterais são estruturas de talha dourada do Barroco de finais do século XVII e que se coadunam com os cânones do Estilo Nacional. No remate superior de ambos foi-lhes posteriormente colocada uma exuberante sanefa setecentista.
O retábulo do flanco esquerdo é obra barroca de Estilo Nacional, de finais do século XVII, e apresenta um grupo escultórico de madeira representando um Calvário. O retábulo do flanco direito é obra barroca do Estilo Joanino e datada de meados de Setecentos.
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