Igreja Matriz de Sesimbra

A primitiva igreja paroquial, aconchegada pela cerca da muralha, foi fundada em 1160 e, posteriormente, com o acentuado crescimento da vila, viu-se reservada ao uso dos cavaleiros de Sant'Iago da Espada, detentores do castelo. Foi já na zona ribeirinha que se ergueu a matriz em 1534, fruto da iniciativa de D. Jaime de Lencastre, com a ajuda concertada dos Espatários e da população piscatória. D. Jaime de Lencastre era neto de D. João II, filho dos duques de Coimbra e irmão do primeiro duque de Aveiro e comendador de Sesimbra. Vinte anos antes de ser bispo de Ceuta, D. Jaime inicia a construção da paroquial, cujo interesse reside sobretudo no interior. A sua abertura ao culto ocorre em 1536, apenas dois anos após o início da empreitada, e a sua instituição foi anexada ao priorado da Ordem de Sant'Iago.
O templo sofreu inúmeras remodelações, conservando da primitiva traça a torre sineira. A data da fundação e uma cruz Espatária estão gravados no lintel do janelão do coro.
Ao aceder-se ao espaço sacralizado, confrontamo-nos de imediato com o coro alto, assente em potentes fustes cilíndricos e formado por balaustrada de mármores setecentista em diversos tons, curva na zona correspondente à nave central. Ainda de mármore são a pia inscrita na parede e a pia batismal. É uma igreja de três naves cobertas por teto de madeira e compostas por cinco tramos, definidos por arcos de volta perfeita arrancando de belíssimos capitéis, que se julga terem pertencido a um primitivo templo, que não deixou vestígios mas que terá servido de base à atual igreja. Os capitéis repousam em potentes colunas de fuste decorado por motivos dourados, de cariz renascentista e realizados posteriormente. No século XVII sofreram o acrescento duma encomenda de temas votivos, relacionados com o mar e tutelados pelo emblema da Ordem de Sant'Iago. O púlpito adossado a um fuste, no flanco do Evangelho, é quadrangular com cercadura de mármore balaustrado.
Nas naves laterais inscrevem-se altares seiscentistas e setecentistas, com vigorosa talha dourada dos periodos maneirista e barroco, na transição dos séculos XVII-XVIII. O de N. Sra. de Fátima é em cantaria maneirista e possui, guardado atrás do altar, um painel de pintura sobre madeira, muito repintado, com S. Brás, obra do século XVI; no de Santo António (flanco sul) é visível tela atribuída a Bento Coelho da Silveira, pintor do século XVII que aqui retrata a "Ressurreição de um morto para provar a inocência do pai do santo, prestes a ser executado". As naves são envolvidas por lambril de azulejos verdes e brancos seiscentistas com motivos de caixilho.
A capela-mor, relativamente profunda, possui um belo exemplar de talha estilisticamente filiada no Estilo Nacional (estrutura com colunas pseudo-salomónicas torsas e arcos concêntricos no topo superior), datável ainda dos finais do século XVII. Apresenta profusa temática decorativa de símbolos eucarísticos de pâmpanos e fénices renascidas (símbolo da eternidade), enrolamentos de acantos, quartelões e, ao centro, tribuna com trono escalonado. A abóbada da capela-mor é embelezada por pintura perspetivada e policroma, com o tema da Eucaristia (final do século XVIII).
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