Igreja Matriz de Vera Cruz

Esta povoação alentejana próxima de Portel viu o seu mosteiro da Ordem de Malta ser construído antes de 1258, na altura do priorado de D. Frei Afonso Peres Farinha, sendo o seu patrocinador João Peres de Amorim, senhor de Portel e que se encontra sepultado no solo da capela-mor. Posteriormente, a sua estrutura seria objeto de remodelações profundas e que lhe obliteraram a sua traça primitiva.
A Igreja Matriz de Vera Cruz é depositária da mais antiga relíquia do Santo Lenho em Portugal, madeiro sagrado da Cruz de Cristo que está resguardado numa estrutura barroca setecentista de filigrana em prata.
O porte arquitetónico deste edifício religioso é austero e monumental. Com efeito, a frontaria é rasgada por um arco ligeiramente quebrado e que estabelece o nartece do templo. Sobre este abre-se o portal do século XVI, de pedra vermelha, ladeado por colunas jónicas, sobre as quais repousa um frontão curvo terminado por cruz latina com pedestal. O pano alvo e branco da parte superior da fachada apresenta apenas uma pequena abertura retangular, com forte cimalha moldurada e terminada por empena de aletas com cruz latina. Delimitam os cunhais da fachada as duas torres sineiras, marcadas por plintos com esferas nos ângulos da cimalha, estando cobertas por coruchéus em agulha. As fachadas laterais são reforçadas por contrafortes moldurados salientes e com gárgulas, rematadas superiormente por esferas, entre os quais se rasgam as diversas aberturas retangulares. A cabeceira tem um perfil de arquitetura militar, com o seu coroamento ameiado, e as paredes com pequenas e poucas frestas e janelas de iluminação.
Espaço unitário e amplo é o corpo da igreja, assentando a sua cobertura em arcadas que repousam em colunas adossadas às paredes laterais. No lado direito da porta principal observa-se uma pia de água benta. O batistério tem alguns dos vestígios mais antigos deste templo, ainda do período visigótico, conservando-se também a pia batismal quinhentista, de formato octogonal.
Da edificação original é a cabeceira do templo, de esquema tripartido e constituído por capela-mor e duas colaterais. A capela-mor, individualizada por gradeamento com plintos de mármore e alteada por quatro degraus, guarda os restos mortais do fundador da igreja.
Este templo terá sido espoliado de algumas das suas obras de arte mais importantes. No entanto, para além da já mencionada relíquia do Santo Lenho, expõe ainda um belo quadro maneirista alusivo ao Pentecostes.
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