Ílhavo


Aspetos Geográficos
O concelho de Ílhavo, do distrito de Aveiro, localiza-se na Região Centro (NUT II) no Baixo Vouga (NUT III). É limitado a norte e este pelo concelho de Aveiro, a oeste pelo oceano Atlântico e a sul pelo concelho de Vagos.
O concelho abrange uma área de 73,5 km2, subdividida em 4 freguesias: Gafanha do Carmo, Gafanha da Encarnação, Gafanha da Nazaré e Ílhavo (S. Salvador). Em 2005, o concelho apresentava 38 581 habitantes.
O natural ou habitante de Ílhavo denomina-se ilhavense.
Estende-se numa área plana numa altitude média de 14 metros, num dos braços da ria de Aveiro. Existem extensas zonas de dunas, Gafanhas, onde se encontram pequenas colónias de pescadores, transformadas nas atuais freguesias. Na costa oeste do concelho, banhada pelo oceano Atlântico destacam-se as praias de Costa Nova e da Barra.

História e Monumentos
As terras de Ílhavo aparecem documentadas nos anos de 1037 a 1065, no Cartulário do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, no Livro preto da Sé de Coimbra. Neste livro, aparece a doação de Recemondo ao Mosteiro da Vacariça, em meados do século XI, onde se concluiu que os direitos e a terra remontam à primeira Reconquista Cristã.
Ainda no século XI, em 1088, foi feita a doação da Ermida de S. Cristóvão, antiga sede da vila, pelo Conde Sesnando ao Presbítero Rodrigo. Em 1095 esta foi doada pelo dito presbítero à sede de Coimbra.
Em outubro de 1296, D. Dinis concedeu-lhe o primeiro foral. Posteriormente, em março de 1514, D. Manuel I outorgou-lhe um novo foral, que regeu o concelho até à lei de Mousinho da Silveira, que em 1832 extinguiu todos os forais e anulou as doações régias. A partir desta data, a jurisdição passou por vários donatários, fixando-se nos Borges Pereira de Miranda, que tiveram posse até 1854, data em que faleceu o último donatário Conde dos Carvalhais.
Em 1895, o concelho foi anexado ao de Aveiro; contudo, passados três anos foi devolvida a sua antiga autonomia. A vila de Ílhavo foi elevada a cidade a 13 de julho de 1990.
O património arquitetónico é rico e variado, de que são exemplo a Igreja Matriz de Ílhavo; a igreja paroquial de S. Salvador (séc. XVIII); o Solar dos Maia (séc. XIII) - com um brasão do tipo neoclássico-; o Forte da Barra ou Castelo da Gafanha - de arquitetura militar portuguesa seiscentista-; os Palheiros da Costa Nova do Prado - construção que remonta ao período neolítico -; a fábrica de porcelanas Vista Alegre (séc. XIX) e a capela da N. Sra. da Penha de França - classificada como monumento nacional desde 1910.

Tradições, Lendas e Curiosidades
No concelho há várias festas e romarias, nomeadamente religiosas como: a do Divino Espírito Santo, realizada no primeiro fim de semana após o dia de Pentecostes; a da N. Sra. da Penha de França, no largo da fábrica de porcelanas da Vista Alegre, no primeiro fim de semana de julho; a da N. Sra. da Nazaré, a 26 de agosto; a do Senhor Jesus dos Navegantes, a 2 de setembro; e, entre outras, a da N. Sra. da Saúde, realizada a 30 de setembro na Costa Nova.
No concelho ocorrem ainda outras festividades, principalmente no mês de agosto, em que há uma maior expressão turística, destacando-se os concertos musicais.
O feriado Municipal é na segunda-feira após a Páscoa.
Relativamente a feiras, há uma mensal todos os dias 13, que é a feira da Vista Alegre, onde há um pouco de tudo, desde produtos agrícolas a vestuário e outros.
Há também um mercado semanal, que ocorre aos sábados em Ílhavo e na Gafanha da Nazaré.
O artesanato tem vindo a ser fomentado no concelho, destacando-se as pinturas artísticas em cerâmica, ligada à implantação da fabrica Vista Alegre em 1824, existindo pequenos ateliers de pintura à mão. As artes marítimas, nomeadamente a construção de miniaturas de barcos em madeira, dentro de garrafas, é também uma arte engenhosa típica do concelho. São ainda de referir os nós de marinheiros e os arranjos florais feitos em escamas de peixes e de casca de cebola.

Economia
Ao longo da história, a economia marítima, ligada à pesca do bacalhau e à extração do sal, em complemento com a agricultura, foi delineando o desenvolvimento económico e a identidade do concelho. No século XIX, com a implementação da fábrica da Vista Alegre, a indústria foi marcando a sua importância na economia local, assim como o aparecimento de zonas portuárias para pesca de alto mar, atividades de construção e reparação naval e indústria de secagem e de congelação de produtos marítimos.
Em tempos mais atuais, houve uma diminuição da oferta de emprego no setor das pescas, facto que levou à procura de outras atividades ligadas ao comércio marítimo ou então à indústria, dada a implementação de duas zonas industriais - a da Mota e a de Ervosas - que dinamizam o setor industrial na economia local.
O turismo é também um setor de relativa importância, dadas as características naturais do concelho, nomeadamente as praias, e também pelas características histórico-culturais, muito ligadas ao artesanato.
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