Império de Tamerlão

Na segunda metade do século XIV, a maioria dos territórios mongóis haviam-se transformado numa série de pequenos principados rivais, guerreando-se incessantemente. Esse facto foi aproveitado por Tamerlão (ou Timur-Leng ou, simplesmente, Timur), emir da Ásia Menor, para estabelecer a sua dominação sobre eles, dando origem ao segundo império mongol.
Este personagem, nascido em Kesh, próximo de Samarcanda, em 1336 ascenderá de forma meteórica no panorama político militar oriental e, por sua iniciativa, os mongóis recuperarão o prestígio de outros tempos. Tamerlão reunia na sua pessoa os talentos do diplomata e do chefe militar; instigava as discórdias entre os príncipes feudais para fomentar o ódio entre eles e, em última análise, sair como o grande beneficiado; como chefe militar sabia, por meio de ações decisivas e rápidas, neutralizar o inimigo. Não sofreu uma única derrota. Este facto fez dele uma lenda, tanto mais que o seu reinado decorreu quase exclusivamente em estado de guerra.
No período de algumas dezenas de anos, estendeu as suas conquistas através de um território enorme; para além de somar várias vitórias, como a de 1376 contra Oruss Khan, senhor de parte da Rússia. Tomou, por exemplo, Khorasan (1380) e vários pontos da região do Cáspio; o reino Mozaférida, em 1387, a Cashegaria, entre 1388 e 1391, e ainda a parte do Iraque e Mesopotâmia em 1393, para além de saques da Polónia e da Rússia, conquista da Índia e lutas contra o sultão Otomano Bazajet (ou Bajaceto), fortemente derrotado em Ancyra (atual Ancara) e feito prisioneiro, entre 1398 e 1402, fazem de Timur senhor de um vasto território submetendo a Ásia Menor, o Irão, a Índia Setentrional, a Síria, a Ásia Central e a chamada Horda de Ouro. A sua capital foi estabelecida na cidade de Samarcanda para a qual transportou fabulosas riquezas, artesãos, artistas e sábios provenientes dos países conquistados. Esta cidade, célebre a partir desta altura, foi embelezada com magníficos edifícios, tornando-se um dos mais brilhante centros de cultura do Oriente (a título de exemplo, refira-se que Ulusbek, neto deste conquistador, um dos maiores astrónomos do seu tempo, reuniu nesta cidade um verdadeiro escol constituído pelos maiores astrónomos do seu tempo e ordenou a construção de um célebre observatório).
As conquistas não impediram Tamerlão de organizar o seu reino, mantendo por todo o império uma ordem rigorosa; por outro lado, patrocinou diversas obras de grande envergadura, como a abertura de canais artificiais de irrigação. Na guerra, era impiedoso e castigava duramente aqueles que lhe resistiam.
A sua expedição à Índia provocou destruições jamais vistas; muitas cidades florescentes, por exemplo a cidade de Deli, foram reduzidas a ruínas.
A morte de Tamerlão, ocorrida em Otrar no ano de 1405, quando se aprestava para invadir a China, interrompeu a longa série de conquistas. O enorme Estado por ele fundado não sobreviveu por muito tempo à sua morte, vindo a desmembrar-se.
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