Independência da Irlanda

Em 1800, assina-se o Ato de União da Irlanda ao Reino Unido; porém, aquele país não estava integrado nem internacionalmente, nem no sentimento nacional. A união tinha sido imposta pela força. Para os Irlandeses significava subordinação e nunca igualdade. A identidade e originalidade irlandesas eram muito fortes para serem assimiladas pelos Ingleses.
Na realidade, na questão irlandesa encaixam-se problemas políticos, agrários e económicos, uma vez que as terras eram maioritariamente dos latifundiários anglo-irlandeses. Depois, surge a oposição religiosa: os Irlandeses são de maioria católica, apenas com cerca de 20% de protestantes no Ulster. Daí que tenha surgido uma espécie de "terrorismo agrário" e violência ocasional.
Em 1845-47, dá-se a "Grande Fome da Batata", que se salda em 750 000 mortos e 1 milhão de emigrantes. Em finais do século XIX, os Irlandeses lutam por uma Home Rule, isto é, por uma ampla autonomia.
De finais deste século até aos alvores do século XX, procede-se a uma grande reforma agrária que, contudo, não elimina um nacionalismo cada vez mais forte e lutador. Certas organizações secretas, como o Sinn Fein, exigem mesmo a independência total. Há, todavia, os unionistas protestantes do Norte, dos seis condados do Ulster, opositores acirrados dos nacionalistas católicos e gaélicos do Sul.
A Home Rule é adiada pelos unionistas, bem como pela Primeira Guerra Mundial, ao passo que os nacionalistas tentam aproveitar a crise mundial para forçar Londres a "abrir mão" da sua presença na Irlanda.
Em 1916, dá-se a "Revolta da Páscoa", com derrota dos Irlandeses e execução de quase todos os chefes, enquanto que E. MacNeil, Eamon de Valera e W. Cosgrave são poupados e amnistiados em 1917.
As eleições de 1918 saldam-se num triunfo para os nacionalistas do Sinn Fein que organizam um Parlamento independente (Dáil) e um exército (IRA). Depois de dois anos de guerrilha (1919-21), um Estado Livre da Irlanda é reconhecido por Londres em 6 de dezembro de 1921. Torna-se membro do Commonwealth, mas fica sem o Ulster, protestante. Uma fração do Sinn Fein recusa este acordo, negociado por Michael Collins (1890-1922), tal como o IRA.
Assim, em 1922-23 inicia-se uma guerra civil, na qual será assassinado Michael Collins, o grande herói e lutador incansável da independência da Irlanda, a que se sucede um afastamento progressivo da Commonwealth. Em 1948, a Irlanda torna-se uma república, mas o Ulster continua a pertencer ao Reino Unido.
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