Indícios de Oiro

Volume de poesia póstumo, deixado pronto para edição pelas mãos de Mário de Sá-Carneiro, que tem o cuidado de, antes de se suicidar, o expedir de Paris para Fernando Pessoa, a quem lega a responsabilidade da sua edição. Redigida entre junho de 1913 e dezembro de 1915, esta coletânea de 38 composições corresponde à produção poética dos anos em que, vivendo em Paris e correspondendo-se com Fernando Pessoa, revela certa permeabilidade às ruturas formais operadas por um modernismo em processo de gestação, aderindo a alguns dos travejamentos que integram as estéticas paúlica e interseccionista, ao mesmo tempo que firma algumas das recorrências temáticas que enformam a sua arte poética, como o sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal.
Como referenciar: Indícios de Oiro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-18 09:35:28]. Disponível na Internet: