Irene Dunne

Atriz norte-americana, Irene Marie Dunn nasceu a 20 de dezembro de 1898 em Louisville, e faleceu na sua mansão de Los Angeles, vítima de paragem cardíaca, a 4 de setembro de 1990. Filha dum inspetor naval e duma pianista, foi graças à influência de sua mãe que a jovem Irene se interessou por uma carreira artística. Com apenas cinco anos de idade estreou-se como atriz teatral nos palcos da cidade onde nasceu, numa encenação da peça Sonho Duma Noite de Verão (1904), de William Shakespeare. Aos 12 anos, enfrentou a trágica morte do seu pai e mudou-se com a sua mãe para a pequena cidade de Madison onde começou a ter aulas de dicção para além de lições de piano. Em 1917, instalou-se em Chicago, tendo obtido um posto de professora de música. Nesse mesmo ano, conseguiu uma bolsa de estudo no conservatório local, impressionando os seus professores pela sua expressividade dramática. Estes convenceram-na a seguir carreira em Nova Iorque e, depois de alguns percalços, conseguiu estrear-se na Broadway em 1923. Dunne tornou-se muito popular ao protagonizar alguns musicais que se tornaram um êxito de público, o que levou os produtores de Hollywood a proporem-lhe um contrato de trabalho como atriz cinematográfica. A sua estreia fez-se em Leathernecking (1930), mas a película passou quase despercebida em termos comerciais. No entanto, um ano volvido, Dunne foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz por aquele que foi apenas o seu segundo trabalho como atriz cinematográfica, Cimarron (1931), em que Dunne surpreendeu o público pela sua interpretação de Sabra, mulher sofredora dum pioneiro do Oeste norte-americano (Richard Dix). Apesar de não ter levado o galardão para casa, Dunne tornou-se numa das atrizes dramáticas mais requisitadas para o desempenho de papéis exigentes: em Ann Vickers (1933), desempenhou o papel duma médica que condenada à prisão pela execução dum aborto ilegal, dentro da penitenciária se torna um ícone do movimento feminista. Seguiram-se outras prestações convincentes em The Age of Innocence (A Idade da Inocência, 1934), Roberta (1935) e Magnificent Obsession (1935). A sua segunda nomeação para Óscar surgiu com o seu trabalho em Theodora Goes Wild (Os Pecados de Teodora, 1936), uma comédia sobre uma escritora que escreve um best-seller sobre a vida na sua pacata cidade, acabando por se apaixonar pelo ilustrador do seu livro. Ao longo da sua carreira, Dunne ainda recebeu mais três nomeações para Óscar de Melhor Atriz, todas elas infrutíferas no que respeita à obtenção do galardão: em The Awful Truth (Com a Verdade Me Enganas, 1937), fez um delicioso par romântico com Cary Grant; com Love Affair (Ele e Ela, 1939), emocionou as plateias devido ao amor impossível retratado na tela; e partiu favorita na noite dos Óscares com a sua quinta nomeação por I Remember Mama (O Seu Grande Mistério, 1948) mas foi ultrapassada na reta final por Jane Wyman. Retirou-se das lides cinematográficas aos 53 anos, após ter completado as filmagens de It Grows on Trees (1952). Em 1957, o presidente Eisenhower nomeou-a delegada dos EUA para a ONU. Até à sua morte, dedicou-se às causas filantrópicas e cívicas não sem antes ter recebido em 1985 um prémio de celebração de carreira oferecido pelo Kennedy Center.
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