Irmã Lúcia

Vidente de Fátima, juntamente com seus primos, mais novos, os Beatos Jacinta e Francisco Marto, irmãos e falecidos antes de 1920, Lúcia de Jesus dos Santos nasceu a 22 de março de 1907, em Aljustrel, Fátima, no concelho de Ourém, sendo a mais nova de sete irmãos, e faleceu a 13 de fevereiro de 2005, em Coimbra.

Com os seus dois primos, costumava guardar rebanhos em torno do lugar onde está atualmente o santuário de Fátima. Foi com eles também que viu Nossa Senhora aparecer, entre 13 de maio e 13 de outubro do ano de 1917, na Cova da Iria, precisamente no local onde hoje está o Santuário e nas imediações. Foi a única interlocutora com a aparição, pois viu, ouviu e falou.
Em 1921 saiu de Fátima, sendo internada no Asilo de Vilar, no Porto. Entrou depois, em 1925, na vida religiosa, nas Irmãs de Santa Doroteia, em Tui, na Galiza, onde professou a 2 de outubro de 1926, com o nome de Maria das Dores, fazendo votos simples a 3 de outubro de 1928.

Viveu ainda em Pontevedra, também na Galiza. Nestas localidades, vivendo em religião, voltou a ter aparições (1925, 1926, 1929), tal como em 1923, altura em que afirma ter visto o Menino Jesus e a Nossa Senhora. A última aparição que teve foi em Tui, a 13 de junho de 1929, em que Nossa Senhora lhe pedia que se rezasse pela consagração da Rússia, país entretanto a viver na era revolucionária marxista-leninista. Estas aparições relacionavam-se com o fermento da devoção do Imaculado Coração de Maria, nomeadamente no cumprimento dos cinco primeiros sábados.

Em 1936 fez votos perpétuos nas Doroteias. Regressou, porém, em maio de 1946 a Portugal. Posteriormente, ingressou nas Carmelitas Descalças, a 25 de março de 1948, ordem em que se manteve até à morte, tendo feito parte do Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, com o nome de Irmã Maria Lúcia do Imaculado Coração de Maria.

É autora de quatro Memórias, de carácter autobiográfico, que têm como objetivo principal perpetuar, pela sua autoria, os acontecimentos de 1917. Estas Memórias, publicadas em 1973, foram inscritas de acordo com proposta de um antigo bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva. De recordar que foi este prelado quem incentivou em Portugal o culto a Nossa Senhora de Fátima, tendo mesmo permitido a celebração de missa na Capelinha das Aparições a partir de outubro de 1921.

Mas só em 1930 as aparições foram consideradas dignas de crédito, estando já Lúcia afastada de Portugal e de Fátima, pois encontrava-se na comunidade de Dorotéias de Tui. Houve, de facto, uma preocupação por parte de D. José Alves Correia, logo em 1921, quando a envia para o Porto com o intuito de a afastar de Fátima.

A Irmã Lúcia participou em algumas visitas papais a Portugal e recebeu autoridades eclesiásticas, para além de trocar missivas com as mesmas entidades, tendo sido a portadora viva do terceiro segredo de Fátima, revelado a 13 de maio de 2000 pelo papa João Paulo II, em visita a Fátima para a beatificação de seus dois primos. Depois de uma entrevista com a monja vidente, João Paulo II revelou que o terceiro segredo que Lúcia guardava da revelação de Nossa Senhora se prendia com o salvamento da vida do papa depois de ter sido vítima de um atentado na década de 80.
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