isomorfismo

A siderite-smithsonite-magnesite é um exemplo característico de isomorfismo. A composição química da siderite é carbonato ferroso, a magnetite é carbonato magnésico e a smithsonite é carbonato de zinco. Além destes minerais, que se podem considerar como termos extremos de uma série isomorfa, há outros em que coexistem os iões zinco, magnésio e ferroso na forma de carbonato. A proporção entre os três iões intermutáveis varia de uns exemplares para outros de todas as maneiras possíveis.
Para que uma substituição isomorfa ocorra, é condição essencial a analogia entre os raios iónicos dos iões que se substituem, não devendo esta diferença relativa ultrapassar os 15%. Outra condição que favorece as composições isomorfas é a complexidade química do mineral. Assim, o isomorfismo é frequente nos silicatos e pouco comum nos sais haloides. Entre iões capazes de se intersubstituírem há certa afinidade química, mas esta condição é menos específica que a exigência de afinidade entre as dimensões dos correspondentes raios iónicos. Por exemplo, o Na e o H, embora quimicamente semelhantes, raramente se substituem um ao outro, em virtude de a diferença entre os seus raios iónicos ser da ordem dos 35%.
Só ocorre substituição isomorfa se cada um dos iões pode combinar-se em separado com os restantes constituintes do mineral, originando formas cristalinas iguais. Por exemplo, no caso da siderite-smithsonite-magnesite, que cristalizam todas em formas do sistema trigonal, podem apresentar isomorfismo com a calcite (CaCO3) mas não com a cerusite (PbCO3), que cristaliza no sistema ortorrômbico. Por sua vez, a cerusite apresenta isomorfismo com outros carbonatos ortorrômbicos, como a aragonite.
O termo isomorfismo, proposto em 1919 para descrever cristais com a mesma forma externa, é hoje empregue por muitos mineralogistas como sinónimo de solução sólida.
Como referenciar: isomorfismo in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2021. [consult. 2021-05-06 08:35:34]. Disponível na Internet: