Ivan Leonidov

Arquiteto soviético, Ivan Ilich Leonidov nasceu em 1902, em Vlasikh. Filho de camponeses, trabalhou como operário na indústria naval em Petrogrado (São Petersburgo) entre 1914 e 1917, onde evidenciou a sua apetência para o desenho.
Enviado para Moscovo, frequenta o curso de Pintura até ingressar no escritório dos arquitetos Alexandr e Vladimir Vesnin, dedicando-se então à arquitetura.
Conclui o curso de Arquitetura na Vkhutemas - Instituto Superior Técnico e Artístico Vkhutema, de Moscovo, em 1927, atingindo rápida notoriedade com o seu projeto de fim de curso para o Instituto de Ciências Bibliográficas, mais conhecido como Instituto Lenine. Este projeto foi apresentado na primeira Exposição de Arquitetura de Moscovo, em 1927, sendo publicado nas principais revistas da especialidade na União Soviética e no mundo inteiro, incluindo o jornal construtivista Sovremennaya Arkhitektura, promovido pela OSA (Associação Contemporânea de Arquitetos). Embora utópico, este projeto reflete alguns dos princípios evidenciados pelas teorias de Naum Gabo e Antoine Pevsner com o Manifesto Realista, que em 1920 propõe as suas ideias de construtivismo, recebendo a pronta adesão de Vladimir Tatlin, Malevitch e El Lissitzky.
Surgindo da necessidade de dar corpo a um modelo de sociedade nascida da Revolução de outubro de 1917, onde a recém-industrialização procura dar a tónica dominante na aplicação de novos conceitos construtivos e novos materiais, Leonidov propõe uma síntese objetiva manifestando na sua curta e produtiva carreira o conjunto das ideias que representam os arquitetos progressistas da época.
A sua atividade projectual começa com uma série de concursos feitos quando ainda era estudante, como o modelo de casa rural (1925); esquema para bloco de apartamentos (1926) em Ivanovo - Voznesensk; edifícios para a Universidade Estatal da Bielorrússia (1926) em Minsk; protótipos para clubes operários (1927), seguindo-se o centro governamental de Alma-Ata (1927-1928); o projeto do edifício do Centrosoyuz (1928), posteriormente executado segundo o projeto de Le Corbusier, em 1930; o Centro de Produção Cinematográfica (1928); o concurso internacional para o monumento a Cristóvão Colombo (1929); o edifício do Ministério da Indústria (1929-1930); o Palácio da Cultura situado no lugar do antigo mosteiro de Simonov, em Moscovo (1930) e o projeto de urbanismo de "Magnitogorsk-Cidade Socialista" (1930), propondo uma cidade linear com carácter urbano pronunciado onde a habitação e o lugar de trabalho, os de repouso e de cultura devem permanecer unidos num todo orgânico, procurando romper com a noção de crescimento espontâneo da cidade tradicional.
O seu visionarismo, símbolo de uma arquitetura de investigação e progresso, é ferozmente atacado por um dos muitos grupos de arquitetos existentes na União Soviética, designado por VOPRA (União dos Arquitetos Proletários), que em nome da "Arte Proletária" e com uma postura pretensamente tradicionalista puseram termo à produção de Leonidov, definindo-o como "sabotador" do regime. Por consequência, a partir de 1930 e até à sua morte, em 1959, o seu trabalho é quase inexistente, sendo ainda de referir a sua colaboração com Guinzburg na residência de férias e repouso S. Ordjonokidze, em Kislovodsk, Crimeia, realizada em 1937.

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