J. G. Ballard

Escritor britânico, James Graham Ballard nasceu a 15 de novembro de 1930, em Xangai, na China. Filho de um industrial têxtil que aí mantinha a sua fábrica, cresceu num ambiente de abastança colonialista até que, em 1937, tropas nipónicas invadiram a China. Receando perder todos os seus bens, os seus pais permaneceram na cidade, assistindo ao cerco do exército japonês. Após o incidente da baía de Pearl Harbor, os japoneses avançaram, em 1943, sobre a comunidade internacional de Xangai, e aprisionaram todos os cidadãos britânicos aí residentes num campo de concentração nos subúrbios dessa cidade.
Finda a Segunda Guerra Mundial, a família regressou a Inglaterra, que se revelou um mundo estranho para o jovem James Ballard. Ingressou mais tarde no curso de Medicina da Universidade de Cambridge, com o intuito de se tornar psiquiatra, mostrando-se fascinado pela Anatomia, Fisiologia e Patologia, mas logo descurou os seus estudos por sentir em si o chamamento da escrita.
Entre as décadas de 40 e 50 escreveu uma série de trabalhos de carácter experimental que não chegou a publicar. Por acreditar que a Era Nuclear iria trazer consigo grandes conflitos armados, determinados em grande escala pelo potencial da aviação de bombardeio, alistou-se na Real Força Aérea Britânica, seguindo para o Canadá, onde recebeu instrução. Foi então que, no ócio da messe, descobriu as revistas de ficção científica que foram alimentando as suas visões de destruição maciça do mundo. Expulso da aviação militar, começou também ele a publicar contos nesse género literário, para revistas, procurando no entanto recorrer ao surrealismo para expressar o seu mundo. Em 1960 publicou o seu primeiro romance, The Drowned World, muitíssimo bem acolhido pela crítica, que cunhava a sua escrita como sendo apocalíptica, e não tanto pertencente à ficção científica.
Seguiram-se The Wind From Nowhere (1962) e, entre outras obras The Atrocity Exhibition (1970), romance em que Ballard procurava criar uma "mitologia do futuro". Crash (1971) foi recusado por várias editoras sucessivamente, facto que levou o escritor a sofrer uma depressão nervosa, talvez prenunciada pelo teor potencialmente suicida da obra. No romance, um motorista de táxi alienado tenta convencer a sua passageira, Elizabeth Taylor, a acompanhá-lo na morte por uma colisão frontal de viaturas.
Em 1984 publicou The Empire Of The Sun, romance em que fazia uma reflexão realista das suas experiências de infância enquanto prisioneiro das tropas japonesas. Esta obra deu origem ao filme com o mesmo nome, em português Império do Sol, realizado por Steven Spielberg em 1987.
Em 1998 foi a vez de Cocaine Nights, obra em que descrevia o tédio de uma burguesia quase completamente isolada do mundo exterior.
Imaginativo e alucinado, Ballard procurou predizer um futuro em que a tecnologia e os meios de comunicação sintetizam um mundo artificial e perturbante.
Como referenciar: J. G. Ballard in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-13 12:00:02]. Disponível na Internet: