Jacques Cœur (1395-1456)
Mercador e financeiro francês do século XV, nasceu em Bourges, cerca de 1395, e morreu em Quios, em 1456.
Genro de um moedeiro da sua terra natal, cedo se tornou oficial da Casa da Moeda.
Jacques Cœur tornar-se-á um abastado e influente comerciante francês, que colaborou bem de perto com o rei Carlos VII, nomeadamente através do financiamento dos seus projetos políticos.
Para além desta atividade financeira foi encarregado pelo monarca de executar missões diplomáticas. No desempenho destas atividades, tornou-se um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do comércio com o Levante, uma importante fonte de riqueza para o Estado francês. Sabe-se que chegou a viajar para esta região em 1433.
Esta aposta no comércio oriental possibilitou o fortalecimento da moeda e a constituição de um exército nacional. Desta maneira, pode dizer-se que Jacques Cœur foi um dos grandes dinamizadores da reabilitação económica do país, operada durante o reinado de Carlos VII, o Vitorioso. Este monarca nomeou-o seu "moedeiro-mor" (1440) e enobreceu-o em 1441.
Depois desta data, os seus bons ofícios como diplomata foram requeridos em várias ocasiões: por exemplo, junto dos estados do Languedoc e Auvergne e aquando da instalação do parlamento de Toulouse. Mas a sua atividade não ficou por aqui. Jacques Coeur interessou-se igualmente pela indústria e foi um dos principais impulsionadores da exploração das minas do Beaujolais e do Lyonnais.
A sua carreira acabou de uma maneira pouco honrosa: após uma vida repleta de sucessos e orientada pela divisa "para corações valentes nada é impossível" e que levou Carlos VII a tratá-lo como um príncipe, sobre ele recaíram acusações de extorsão que mancharam o seu nome e a sua reputação e lhe trouxeram problemas com as autoridades.
O homem que recuperou a França foi condenado e viu os seus bens confiscados. Surpreendido por estas decisões, o velho comerciante só teve tempo de fugir de Poitiers, onde se encontrava.
Fugiu para Roma onde Calisto II o acolheu sem reservas e confiado na sua capacidade, entregou-lhe o comando de uma frota para combater os turcos. Quando morreu, o seu nome ainda era o de um proscrito e só foi reabilitado quando o novo rei Luís XI mandou reabrir o seu processo, o tribunal reconheceu a sua inocência e o monarca devolveu aos seus filhos parte daquilo de que foi despojado.
A casa onde viveu este célebre mercador, na cidade de Bourges, é um belo exemplar da arquitetura civil do século XV.
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