Artigos de apoio

Jaroslav Seifert
Poeta e jornalista checo, Jaroslav Seifert nasceu a 23 de setembro de 1901 em Zizkov, um subúrbio operário da cidade de Praga. Filho do gerente de uma pequena loja, aproveitava os tempos livres da escola para auxiliar o pai, calcorreando as ruas de Praga como moço de recados.
Quando contava apenas dezasseis anos de idade, teve notícia da eclosão da Revolução Russa, acontecimento que suscitou o seu interesse ao ponto de se afiliar no Partido Social Democrata, embrião do Partido Comunista. Abandonando os seus estudos secundários, decidiu dar início a uma carreira como jornalista, estreando-se num dos órgãos oficiais do partido, o Rudé Pravo, em 1918. A sua colaboração logo se estendeu a outras publicações comunistas, como o Rounost, o Srsatec e o Reflektor.
Em 1920 publicou o seu primeiro livro, Mesto V Slách, obra de cariz ideológico, no qual defendia a revolução proletária.
No ano de 1923 empreendeu uma viagem que o levou até Paris, onde tomou contacto com a literatura francesa, que veio a influenciar a sua obra de sobremaneira. Seifert chegou mesmo a versar para o checo alguns dos autores franceses.
De regresso a Praga, Seifert tornou-se numa figura de relevo nos meios literários da cidade. Havia já participado na fundação da tertúlia Devetsil, cujo manifesto publicou antes da sua partida para França, no ano de 1922, com o título Revolucní Sborník Devetsil.
Após uma incursão pela União Soviética, escreveu Slavik Zpiva Spatne (1926), uma obra de agitação política caracterizada por rimas curtas e estilo inspirado no surrealismo. Desiludido com o panorama da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, assinou, conjuntamente com seis outros escritores de prestígio, um documento cujo intuito era o de protestar contra a preponderância russa sobre o território e mentalidade checoslovacos. Expulso do Partido Comunista, alterou o seu discurso, tornando-o mais subjetivo e naturalista, procurando retomar a tradição poética checa. Jablo Z Klína (1933) e Ruce Venusini (1936) são bons exemplos da sua obra nesse período.
Adivinhando a Checoslováquia como uma presa fácil das potências mundiais emergentes, publicou, em 1938, Zhasnete Svetla (Apaguem as Luzes), uma coletânea de poemas reputados pelo seu dom profético.
Após a invasão do seu país pelas tropas nacionais-socialistas, prosseguiu o seu esforço literário, embora sem grande relevo, se excetuarmos Svetlena Odená (1940, Vestido de Luz).
Finda a Segunda Guerra Mundial, ascendeu ao estatuto de poeta nacional, sobretudo após a composição de Prilba Hlíny (1945, O Capacete de Barro), obra que procurava exaltar a sublevação dos checos contra os alemães antes da rendição destes últimos.
Apesar da tentativa de estabelecer uma identidade nacional, os soviéticos, graças à assinatura do Pacto de Varsóvia, acabaram por dominar o país em 1948, o que levou Seifert a divorciar-se da política. Escrevendo sobretudo literatura infantil, teve que recorrer a editoras estrangeiras para a publicação de obras mais encorpadas, como Morovný Sloup (1977). Foi também interdito de exercer o jornalismo a partir de 1949.
Em 1969 foi nomeado presidente do Sindicato dos Escritores checo, mas demitiu-se pouco tempo depois, em sinal de protesto contra a invasão da Checoslováquia pelos blindados soviéticos, nos acontecimentos que sucederam a chamada primavera de Praga.
No ano de 1981 apareceu a sua autobiografia, impressa no estrangeiro. A obra autobiográfica valeu-lhe a atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1984.
Jaroslav Seifert faleceu em Praga a 10 de janeiro de 1986.
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