Jean Bodin

Jurista e pensador francês, nasceu em Ayer (1529/1530) e morreu em Laon (1596), desempenhou a advocacia, foi professor de Direito e funcionário régio, tendo estado implicado nas lutas religiosas.
Fez os seus estudos na Universidade de Toulouse, onde exerce depois o seu magistério. É sobretudo nas questões do Direito que Jean Bodin medita, mesmo quando se debruça sobre a religião, a filosofia ou a história, são sempre os olhos de um jurista que analisam essas matérias.
Foi autor do tratado A República, onde estabeleceu a doutrina da soberania do Estado independente de influências internas e externas. Foi o primeiro a utilizar o termo "soberania" no sentido moderno da palavra. Bodin defende que à República cabe o governo do que é comum ao conjunto de famílias que no seu território habitam, entendendo, contudo, que a família é anterior à República, que, por isso, deve ser como que a continuidade das aspirações do homem, que em última instância são religiosas. Deus está acima de tudo e surge, para Jean Bodin, como o fundamento do comportamento moral de todo o homem. Advoga um estado forte, porém a justiça deverá ser exercida de acordo com as leis naturais e divinas, sendo a forma monárquica a preferível num estado assim expresso.
Bodin é dotado de um espírito bastante amplo e tolerante, o que o leva a defender que, perante a hesitação sobre a verdadeira religião a seguir, o homem deve preocupar-se com a contemplação de Deus em si mesmo, para lá da forma exterior da religião. A espontaneidade aberta do seu pensamento, leva-o a reconhecer com naturalidade que ao homem deve caber, para lá de qualquer preconceito religioso ou racional (porque a fé é, para ele, superior à razão, reconhecendo muito embora que cada uma tem o seu campo), a busca do Artista autor da grande obra que é a natureza e o próprio homem - Deus.
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