Jean Genet

Escritor e dramaturgo francês, Jean Genet nasceu a 19 de dezembro de 1910, em Paris. Filho ilegítimo de um operário e de uma costureira, foi abandonado aos cuidados de uma instituição pública.

Adotado por uma família rural que alimentou a esperança de o ver pronunciar os votos do sacerdócio, Jean Genet desapontou todas as suas expectativas aos dez anos de idade, ao ser condenado a uma pena de cinco anos de reformatório por roubo.

Aos dezanove anos alistou-se na Legião Estrangeira mas, descontente com a severa disciplina, desertou pouco depois, passando a vaguear pela Europa em fuga das autoridades militares. Pelo caminho, passou pequenas temporadas em estabelecimentos prisionais, acusado de roubo, homossexualidade, contrabando e vadiagem.

Decidiu começar a escrever no ano de 1939, dedicando-se na fase inicial da carreira à produção de obras de carácter autobiográfico. Em 1944 publicou Notre-Dame Des Fleurs, romance em que procura sublimar o que ele julgava ser a sua rejeição por parte de uma sociedade burguesa e falsamente moralista. Seguiu-se Miracle De La Rose (1945), romance em que Genet procedia a uma reflexão sobre a validade da justiça humana.

Em 1948 foi condenado a prisão perpétua como resultado de uma acumulação de penas, já que havia estado presente no banco dos réus cerca de dez vezes pelo crime de furto qualificado. Acarinhado por escritores de renome como Jean-Paul Sartre, André Gide e Jean Cocteau, que assinaram uma petição de amnistia ao Presidente da República, Genet foi libertado, não cabendo em si de alívio e alegria.

Em 1949 publicou a sua autobiografia, com o título Journal De Voleur. A obra revertia sobretudo para a problemática interior da cleptomania, homossexualidade e consumo de drogas, e obteve continuação com o aparecimento de Un Captif Amoureux (1986). Por essa altura começou a escrever para o teatro, mas muitas das suas peças não foram a palco devido ao seu teor de controvérsia, pela denúncia que expunha a hipocrisia humana no seu convencionalismo.

Em 1956 apareceu Le Balcon, peça que contava a história da proprietária de um bordel frequentado por personalidades tidas como respeitáveis, como um bispo, um chefe de polícia, um juiz e um general que se ajustam a uma revolução que decorre nas ruas da cidade. De destacar também Les Bonnes (1947) e Les Négres (1959).

Tido por Sartre como o protótipo do homem existencialista, Jean Genet faleceu em Paris a 15 de abril de 1986.
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