jejum

As origens do jejum como forma de atingir uma dimensão superior são muito antigas. Provavelmente surgida de forma involuntária pela primeira vez, esta experiência de privação de comida e bebida durante um certo período de tempo foi usada por diferentes cultos em rituais de purificação do corpo para a sua união com o divino. Este ritual era observado em algumas culturas e etnias tanto em África como na América ainda muito recentemente. Existiam na Europa, para além dos jejuns com fins de purificação espiritual, jejuns utilizados na feitiçaria, os jejuns negros, para provocar um mal numa determinada pessoa.
As mulheres romanas da Antiguidade guardavam jejum e abstinência sexual durante algum tempo depois da Festa das Mães, a Maternália, que tinha lugar no mês de março e que era interdita a homens. Foi provavelmente este costume que foi substituído pelo jejum da Quaresma cristã, nomeadamente a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa, e muitos dos monges e santos da cristandade praticavam o jejum como forma de estar mais perto do seu Senhor.
Na tradição judaica o jejum existe como perdão divino para todos os pecados para todos aqueles que jejuassem durante 12 dias do ano no total, no mínimo de três dias e três noites. Os muçulmanos observam um período de jejum, o ramadão, que corresponde à duração de um mês lunar, o 9.° mês do calendário islâmico, durante o qual praticam a abstinência sexual e não tocam em qualquer alimento e bebida durante o dia. Em todas estas religiões existem exceções para as crianças, os doentes ou as pessoas de idade avançada, que não praticam um jejum tão rigoroso como os adultos ou pessoas sem problemas de saúde.

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