Jerónimo Corte Real

Jerónimo Corte Real nasceu de uma família nobre pensa-se que em Lisboa, embora também se ponha a hipótese de ter nascido na ilha Terceira, nos Açores. Pertencia à família dos pioneiros descobridores e colonizadores da Terra Nova (Canadá). Segundo Sousa Viterbo e a documentação que encontrou sobre este autor, Corte Real serviu como militar na Índia, em Marrocos e, finalmente, já com avançada idade, foi prisioneiro em Alcácer Quibir. Acabou por regressar a Portugal para repousar das suas aventuras na sua Quinta de Vale de Palma, nas proximidades de Évora.
O autor celebrizou-se com o poema em vinte e um cantos dedicado ao rei D. Sebastião Sucesso do Segundo Cerco de Diu, estando D. João de Mascarenhas por capitão da fortaleza. A composição celebra os feitos militares de D. João de Mascarenhas no cerco que a cidade de Diu sofreu em 1546. Escreveu também em quinze cantos e em castelhano a Austríada ou Victoria de D. Juan de Austria en el golfo de Lepanto. Já antes tinha escrito o poema em 17 cantos Naufrágio e lastimoso sucesso da perdição de Manuel de Sousa de Sepúlveda, além do Auto dos quatro novíssimos do Homem, no qual entra também uma meditação das penas do Purgatório. Os poemas são quase inteiramente em decassílabos soltos, relevando a poesia épica, com um tom notoriamente laudatório. O autor reflete a decadência do império português nos finais do século XVI.
Corte Real cultivou também a música e a pintura, ilustrando ele mesmo os seus poemas. Estas qualidades contribuíram para a sua celebrização, que não se deveu apenas ao seu cariz poético que não era dotado de grande génio.Há um quadro do autor na igreja de Santo Antão, em Évora.
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