""Jim Crow""

O nome "Jim Crow" era dado frequentemente aos escravos negros norte-americanos e foi imortalizado por uma canção muito em voga no século XIX, pelo artista Thomas Rice, que retratava os negros de uma forma discriminatória, como idiotas inocentes, preguiçosos e infantis.
Com a abolição da escravatura no fim da Guerra Civil americana, em 1863, surgiram questões relativas à responsabilidade da sociedade branca americana no que diz respeito aos seus ex-escravos, nomeadamente à questão se estes deveriam ter apoios económicos para a sua reinserção na sociedade. O Governo Federal americano tentou instituir nos estados do Sul uma maior igualdade perante a lei e o direito de voto para os antigos escravos através da Declaração de 1875. Alguns estados federados do Sul tentaram através dos chamados "Códigos Negros" limitar de forma legal os direitos dos negros. Na prática, apesar do fim da sociedade esclavagista, mantinham-se as regras segregacionistas e racistas que estavam na base da escravatura. Esta oposição da sociedade aos novos ventos de mudança reconheceu algum apoio das instâncias superiores dos EUA no reconhecimento por parte do Supremo Tribunal americano que a declaração não dizia respeito a atos pessoais discriminatórios, abrindo uma brecha para a legalidade da legislação local segrecionista de alguns estados do Sul. Na prática, o tribunal transferia a legitimidade da legislação do Governo Central para os estados, dando assim lugar à que ficou conhecida como a época "Jim Crow".
Desde a educação até ao casamento, tempos livres ou o trabalho e o transporte, todas estas áreas da vida social foram reestruturadas de forma a seguirem os princípios da separação entre brancos e negros, a segregação "Jim Crow" com estatuto legal. Quando a Lei não bastava para apoiar a separação, os estados do Sul conheceram a prática da violência organizada para assegurar um retrocesso nos direitos dos negros, como foi o caso do movimento racista Ku-Klux-Klan que com a ameaça real dos linchamentos forçavam os afro-americanos a aceitarem pelo medo a sua situação "inferior" e a conservarem-se dentro da imagem estereotipada do escravo "Jim Crow", sem possibilidade de acederam a uma melhor educação e emprego. O fim da era "Jim Crow" só veio a acontecer em 1954 quando uma decisão judicial declarou inconstitucionais as escolas separatistas, um movimento que deu lugar ao fim da segregação social nos transportes, aos restaurantes e outras áreas da sociedade até total erradicação no Ato dos Direitos Civis de 1964.

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