João Ameal

Historiador, escritor e político, João Francisco de Sande Barbosa de Azevedo e Bourbon Aires de Campos (2.º Visconde e 3.º Conde do Ameal), mais conhecido pelo pseudónimo literário de João Ameal, nasceu a 23 de agosto de 1902, em Coimbra. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, João Ameal consagrou-se como historiador, escritor e político. Nesta última faceta, cedo se revelou como um militante monárquico tradicionalista juntando-se, em 1923, ao chamado "Grupo dos Cinco" que, não seguindo a rutura do Integralismo com D. Manuel II, criou a Ação Realista Portuguesa.
Em 1926 surge o jornal diário Ação Realista sob a direção de João Ameal. Após a fusão dos monárquicos na Causa Monárquica, o então jornalista colaborou com a revista Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses (1932-33). Aliás, ao longo da vida manteve fiel colaboração com jornais, revistas e com emissões radiofónicas e televisivas.
João Ameal integrou igualmente a organização nacional-sindicalista de Rolão Preto. Em janeiro de 1934, todavia, está entre os dissidentes dessa organização que, sob o impulso de Oliveira Salazar, criaram a Ação Escolar Vanguarda. Em 1934 a sua coletânea de estudos No Limiar da Idade Média recebe o Prémio de Ensaio do SPN - Prémio Ramalho Ortigão. A colaboração de João Ameal com o regime do Estado Novo estreitou-se ao ser indicado por António Ferro para integrar a fugaz secção portuguesa dos Comités de Ação para a Universidade de Roma (CAUR), ao lado de António Eça de Queirós e Ernesto de Oliveira e Silva. Em 1935 João Ameal é empossado no cargo de secretário-geral adjunto da Liga de Ação Universal Corporativa (organismo que não chegou a desenvolver qualquer atividade), para cujo conselho diretivo foram igualmente nomeados: Caetano Beirão, Fernando de Campos, Conde de Aurora, António de Meneses, Abílio Pinto de Lemos e Augusto da Costa. O Conde de Ameal foi ainda deputado à Assembleia Nacional e procurador à Câmara Corporativa. Monárquico. Desiludiu-se profundamente com o regime de Salazar, o que o levou a um afastamento progressivo da política ativa.
A partir da década de 40 dedica-se sobretudo ao ensino universitário, à Literatura e à investigação nos domínios da Filosofia e da História, onde legou obra assinalável. Em 1941 obteve o Prémio Alexandre Herculano pela sua História de Portugal, compilação em que o autor revela a sua conceção da História como ética e arte, ideário posteriormente desenvolvido na ambiciosa História da Europa (1961-1984), em cinco volumes. A crise europeia, após a Segunda Guerra Mundial, e o ocaso dos valores em que acreditava, inspiraram a elaboração dos ensaios Europa e Seus Fantasmas (1945). Outras coletâneas de ensaios são as que têm por título A Verdade É Só Uma (1960) e, nos domínios filosóficos, São Tomás de Aquino - Iniciação ao Estudo da Figura e da Obra (1938).
No campo especificamente literário, vasto é o legado de João Ameal: O Que os Meus Olhos Viram, A Semana de Lisboa e Balões Venezianos (crónicas, respetivamente 1919, 21 e 23); Em Voz Alta e em Voz Baixa (diálogos, 1920); Olhos Cinzentos e Religião do Espaço (novelas, 1922); Os Notívagos e Eterna Luz (romances, respetivamente 1923, 1927); Aparições (contos, 1932); e, por último, Panorama da Literatura Portuguesa Contemporânea (publicado em Paris, em 1949).
João Ameal foi membro da Academia Portuguesa da História e da Academia de Ciências. Em 1978 o terceiro Conde do Ameal é empossado no cargo de conselheiro, no Conselho Privado do duque de Bragança, cargo que manteve até à morte, em 23 de setembro de 1982, em Lisboa.
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