João Braga

Cantor e autor português, João de Oliveira e Costa Braga nasceu a 15 de abril de 1945, em Alcântara, Lisboa. A sua estreia em público aconteceu como solista do coro do Colégio S. João de Brito quando tinha apenas 9 anos.

Em 1957, quando tinha 12 anos, a sua família mudou-se para Cascais. A partir de 1963, João começou a cantar em casas de fado amador não só daquela região, mas também de Lisboa. Esta paixão pelo fado levou-o a abandonar mais tarde o curso de Direito.
A sua carreira musical começou verdadeiramente em 1967, com a gravação do seu primeiro disco, intitulado É Tão Bom Cantar o Fado. Mas seria em 1969 que João Braga ficaria conhecido do grande público, graças à sua atuação nos serões televisivos do programa Zip-Zip.

João Braga teve sempre uma participação ativa no panorama cultural do país. Em 1971, foi responsável (juntamente com Luís Villas-Boas, que viria a ser seu produtor), pela organização do 1.º Festival Internacional de Jazz de Cascais; em 1972, participou no Festival da Canção e fundou a revista Musicalíssimo onde permaneceu até 1974. Nesse ano, foi emitido um mandato de captura em seu nome, o que o levou a um exílio forçado em Madrid durante dois anos.

Em fevereiro de 1976 regressou a Portugal e abriu a casa de fados O Montinho, em Montechoro, mas esta esteve em atividade apenas durante um verão. Entre 1977 e 1987 gravou mais sete álbuns: Canção Futura (1977), Miserere (1978), Arraial (1980), Na Paz do Teu Amor (1982), Do João Braga Para a Amália (1984), Portugal/Mensagem, de Pessoa (1985) e O Pão e a Alma (1987).

Em 1984, apresentou-se como autor de melodias e musicou poemas de Fernando Pessoa, Luísa Salazar de Sousa e Pedro Homem de Mello, que faziam parte do seu álbum Do João Braga para a Amália, álbum de homenagem à diva do fado.

Em 1990, gravou o seu primeiro trabalho em formato digital, intitulado Terra de Fados, que incluía inéditos do poeta Manuel Alegre, que pela primeira vez escreveu expressamente para um cantor.

A partir dos anos 90, João Braga foi o responsável por uma renovação do panorama fadista, ao convidar para integrarem os seus concertos jovens intérpretes como: Maria Ana Bobone, Rodrigo Costa Félix, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Mariza, Cristina Branco, Kátia Guerreiro, Nuno Guerreiro, Filipa Pais, Gonçalo Salgueiro, Joana Amendoeira, Ana Moura, Diamantina, Lina Rodrigues, Raquel Peters, entre outros.

João Braga é um verdadeiro artista multifacetado. Para além de ser intérprete e autor de diversos fados, também interpreta canções de outros estilos musicais, como a canção francesa, a anglo-saxónica e a brasileira. Além disso, participou em diversos programas televisivos e radiofónicos e é autor de centenas de crónicas. Em 2006, escreveu o livro Ai Este Meu Coração.

Atuou em países da Europa, África, América do Norte e do Sul e foi distinguido com vários prémios dos quais se destacam a Medalha de Mérito Cultural do Governo Português (1990), o Prémio Neves de Sousa, atribuído pela Casa da Imprensa (1995), a Medalha da Cruz Vermelha de Mérito (1996), Prémio de Carreira, da Casa da Imprensa (1999), e a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique (2006).
Como referenciar: João Braga in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-20 16:49:09]. Disponível na Internet: