João Paulo II

Papa de origem polaca, de nome próprio Karol Wojtyla, nascido a 18 de maio de 1920, em Wadowice, uma localidade no sul da Polónia, e falecido a 2 de abril de 2005, no Vaticano.

Tinha o mesmo nome do pai, um militar ao serviço do exército austro-húngaro que faleceu em 1941. A sua mãe era uma senhora lituana denominada Emília Kaczorowsky (falecida em 1929 ao dar à luz uma menina, que também não sobreviveu) e o seu irmão mais novo, Edmund, morreu ainda antes do pai.
Foi batizado na igreja de Santa Maria de Wadowice e, até ao encontro com o Cardeal Sapieha, que lhe despertou o interesse pela vida sacerdotal, estava vivamente interessado nas artes e língua polacas, a ponto de pensar seguir o curso de Filologia e Linguística.

Chegou mesmo a formar, com alguns colegas, uma universidade clandestina vocacionada para estas áreas do saber, quando os alemães fecharam as escolas superiores oficiais polacas durante a Segunda Guerra Mundial, com o intuito de impor a sua própria cultura.

Antes de entrar para o Seminário Maior, trabalhou numa mina (pertencente à fábrica Solvay), o que o aproximou dos mais pobres.

Durante o período de ocupação nazi da Polónia, contribuiu grandemente para salvar pessoas de origem judaica. Entrou, nesse período da guerra, em 1942, para a Faculdade de Teologia da Universidade Jaghellonica, tendo então que viver escondido sob a proteção do Cardeal de Cracóvia.

A sua primeira missa (missa nova) foi celebrada na Cripta de S. Leonardo, na catedral de Cracóvia, depois de ser ordenado padre a 1 de novembro de 1946, no Seminário Maior desta cidade.

Licenciou-se em Teologia no famoso Instituto Angelicum (uma universidade dos Frades Pregadores, ou Dominicanos, em Roma), doutorando-se posteriormente em Filosofia na Universidade de Lublin, na sua Polónia natal.

Lecionou de seguida a cadeira de Ética nas universidades de Lublin e Estatal de Cracóvia, sendo igualmente o capelão destas instituições.

A 23 de setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar de Eugeniusz Baziak, Administrador Apostólico da diocese de Cracóvia, o qual veio a substituir a 13 de janeiro de 1964, aquando da morte deste.

Teve um papel muito ativo no Concílio do Vaticano II, particularmente na elaboração da Constituição Gaudium et Spes e da Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium.

Tornou-se arcebispo em 1966, quando Cracóvia se tornou uma Arquidiocese por ordem do Papa Paulo VI, recebendo o barrete cardinalício no mês de maio de 1967. Até 1977, representou a Polónia em cinco sínodos internacionais de bispos.

Depois da morte de Paulo VI, foi eleito papa João Paulo I, cujo nome próprio era Albino Luciani, um homem simples e sorridente. No entanto este novo Papa só ocuparia o seu posto durante 33 dias, devido a uma morte súbita e envolta em estranhos contornos.

Por conseguinte, o cardeal Karol Wojtyla acabou por ser eleito sumo pontífice a 16 de outubro de 1978, em substituição do papa Luciani.

Foi ungido como titular da cadeira de Pedro a 22 do mesmo mês.

A sua fluência em várias línguas permitiu-lhe ser embaixador da Igreja por todo o mundo.

Apesar da sua bonomia, sorriso constante e tolerante mundividência, foi vítima de um atentado a 13 de maio de 1981 na Praça do Vaticano, tendo sido salvo por uma cirurgia complicada, onde foi retirada a bala com que o turco muçulmano Ali Agca o atingira, pretensamente a soldo dos serviços secretos de países de Leste (Bulgária, segundo se crê).

A posição de João Paulo II perante assuntos de natureza política e internacional, em defesa dos direitos dos cidadãos e contra os regimes tirânicos e despóticos, fez com que muitos analistas e historiadores, bem como a classe política ocidental, o considerassem o grande impulsionador do descongelamento do Bloco de Leste marxista-leninista e do advento de regimes pluripartidários e democráticos nessa região europeia, onde se incluía a sua amada pátria polaca.

Em 1988, declarou pela Constituição Apostólica Pastor Bonus que a Fábrica de S. Pedro (instituição criada em 1506 pelo Papa Júlio II, encarregada de zelar pela construção e gestão patrimonial e espiritual da Basílica do Vaticano) se continuaria a dedicar ao cuidado da basílica com o nome deste Apóstolo, tanto no referente à organização das visitas dos peregrinos como no que diz respeito à disciplina dos guardas e à conservação do edifício.

Caracterizando-se pela comunicação contínua com os fiéis, sobretudo com os jovens e os mais desfavorecidos pela sociedade, escreveu muitas mensagens e cartas, entre as quais se encontram a Mensagem para a Quaresma de 2002, Mensagem de Sua Santidade João Paulo II para a XI Jornada Mundial do Doente, Mensagem do Santo Padre para o XVII Dia Mundial da Juventude, Mensagem da Sua Santidade João Paulo II para a celebração do Dia Mundial da Paz, Carta aos Artistas, Carta aos Anciãos, O Dia do Senhor e A dignidade da Mulher.

Escreveu várias outras obras de cariz teológico e ético, entre as quais se destacam Sinal de Contradição e Amor Frutuoso e Responsável, assim como uma peça de teatro, A Loja do Ourives, sob o pseudónimo Andrej Jawien. Elaborou também uma série de encíclicas sobre temas atuais e preocupantes, como o trabalho como meio de santificação (Laborem Excersens, 1981), as causas de discórdia entre igrejas cristãs (Ut Unum Sint, 1995), e o aborto, eutanásia, pena capital, contracetivos e métodos não naturais de reprodução (Evangelium Vitae, 1995).

Além destas contam-se ainda a Redemptor Hominis (1979), Dives in misericordia (1980), Slavorum apostolo (1985), Dominum et Vivificantem (1986), Redemptoris Mateie (1987), Sollicitudo rei socialis (1987), Redemptoris missio (1990), Veritatis splendor (1993) e Fides et Ratio (1998).

Conhecido também por "Papa peregrino", a sua vocação apostólica refletia-se igualmente nas cerca de duzentas viagens efetuadas por todo o mundo, estribada num sentido ecuménico ativo e inspirador da abertura, diálogo e tolerância com os outros credos religiosos.

É adicionalmente o papa recordista na nomeação e alargamento do número de cardeais e reforço do seu papel e competências, tornando a cúria vaticana uma autêntica máquina de Estado.

A canonização e beatificação de figuras de santidade e santos foi outra das vertentes mais fecundas da longa carreira papal de João Paulo II - um bispo de Roma fatigado, minado pela doença de Parkinson (em muitos lugares designada por "doença do papa") e possuidor de uma mente ativa e lúcida, ainda que agrilhoada por um corpo doente, que não o impedia de viajar, legislar e intervir constantemente, além do desempenho das suas funções e atividades pastorais e ligadas ao seu múnus sacerdotal.

Devoto de N. Sra. de Fátima, visitou Portugal pela primeira vez a 12 de maio de 1982, tendo viajado por diversos locais, além do Santuário de Fátima.

Deslocou-se mais três vezes ao país, duas a Lisboa, em 1983 e 1991 (ano em que visitou também a Madeira e os Açores), e uma a Fátima, em 2000, com o propósito de presidir à beatificação de Jacinta e Francisco Marto, os dois pastorinhos ali sepultados desde 1951 e cujo processo de beatificação foi iniciado em 1948.

Com o nome de João Paulo II, na continuidade daquele que o antecedeu por um período tão breve, o seu pontificado foi um dos mais longos da História, estendendo-se por quase 27 anos, até à sua morte em 2005.

A 27 de Abril de 2014 foi canonizado pelo papa Francisco, numa cerimónia realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano.

Desde então, celebra-se a 22 de outubro a memória litúrgica de São João Paulo II.
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