João Rodrigues de Castelo Branco

São escassos os dados biográficos conhecidos sobre este poeta palaciano cuja participação no Cancioneiro Geral é quase sempre associada à composição da bela cantiga "Senhora partem tão tristes", apenas se sabe que viveu entre os séculos XV e XVI. Sabe-se, pelas alusões contidas na composição Mafoma, primo, senhor, que foi contador na Guarda e que era primo de António Pacheco, vedor da moeda, em Lisboa. Nesse texto, construído sob a forma de epístola, as novas sobre a sua vida na Beira são o ponto de partida para desenvolver tematicamente a oposição entre a vida na corte e a vida no campo e criticar ironicamente as vicissitudes da vida cortesã - depender dos favores de apontadores, veadores e porteiros, lutar com a pobreza, sofrer fome e frio, não ver os serviços recompensados, mas "trabalhar noites e dias / por ser na corte cabidos, / e, os tempos despendidos, / ficar com as mãos vazias." - a que opõe a vida mediana, mas segura, nas serras.
A oposição corte / campo evolui nas trovas de João Rodrigues de Castelo Branco para a oposição vida na corte / aventura ultramarina, descrevendo nessa carta a António Pacheco o reverso da fama e da riqueza almejada pelos que partem:"Armadas idas d'alem / já sabeis como se fazem, / quantos cativos lá jazem, / quantos lá vam que nam vem! / E quantos esse mar tem / somidos, que nam parecem, / e quam cedo caa esquecem, / sem lembrarem a ninguem! / E algûus que sam tornados / livres dessas borriscadas, / se os is ver aas pousadas / achai-los esfarrapados, / pobres e necessitados (...). No mesmo sentido, nas trovas enviadas a Antão da Fonseca, assume-se como um anti-herói que, instalado na comodidade da corte, não inveja a glória dos que lutam em África: "Vos laa quebrantais as raias / e as tranqueiras dos mouros / e nós cá corremos touros / e fazemos grandes maias. / Nam curamos d'azagaias / nem d'armas muito lozidas, / mas gastamos nossas vidas / em capas, gibões e saias."
Como referenciar: João Rodrigues de Castelo Branco in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-14 15:00:18]. Disponível na Internet: