João Sem Medo

Duque francês da Borgonha, D. João I, nasceu a 28 de maio de 1371, em Dijon, e faleceu a 10 de setembro de 1419, assassinado na ponte de Montereau. Era filho de Filipe, o Atrevido, duque da Borgonha, e da sua mulher Margarida III da Flandres, pertencendo à Casa capetíngia dos Valois. Teve como irmãos António, duque de Brabante, Filipe, conde de Nevers, Margarida, condessa de Ostrevent, Catarina e Maria. Em 1384 tornou-se conde de Nevers, tendo em 1404 oferecido o título ao seu irmão Filipe. Inicialmente noivo de Catarina de Valois, filha de Carlos V de França, acabou por casar em 1385 com a filha de Alberto da Baviera, Margarida, com quem teve o futuro Filipe III da Borgonha, além de sete filhas: Catarina, Maria, Margarida, duquesa da Guyenne, Isabel, Joana, Ana e Inês. Foi um dos cruzados que se bateram contra os Turcos de Bayezid I na campanha liderada por Sigismundo da Hungria, tendo sido preso em Nicópolis no ano de 1396 e libertado contra resgate no seguinte ano. Foi no decurso das suas atividades militares que ganhou o cognome com que seria conhecido, "Sem Medo". Voltou a França depois da libertação, tornando-se duque da Borgonha em 1404, com a morte do seu pai, e conde da Flandres e de Artois no ano subsequente, por morte da sua mãe. Cedo se acenderam os conflitos com o irmão mais novo do rei Carlos VI de França, Luis de Orleães, pois a demência do rei exigia que as rédeas do comando fossem entregues a outra pessoa. João Sem Medo acabou por conseguir a guarda do Delfim francês, o que lhe conferiu um notável poder, e terminou com o seu rival Luís de Orleães em 1407, mandando-o assassinar em Paris. O duque da Borgonha foi perdoado deste crime pelo rei de França no Tratado de Chartres, datado de 9 de maio de 1409. João I da Borgonha participou nas negociações de paz com o rei Henrique V de Inglaterra, que tinha invadido o território francês, mas não participou na batalha entre as duas fações em Agincourt (1415), onde morreram dois dos seus irmãos, Filipe e António. Em 1417 tomou a cidade de Paris e declarou-se protetor do rei Carlos VI, vendo-se o Delfim (futuro Carlos VII) obrigado a fugir. Este pediu um encontro de reconciliação com o duque da Borgonha em 1419, na ponte de Pouilly, encontro este que se seguiria de um outro para firmar a paz também a pedido do Delfim, a 10 de setembro na ponte de Montereau. Foi neste último que João Sem Medo foi assassinado, tendo sido enterrado na sua cidade natal.
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