João XXIII

Antipapa italiano, soldado de formação, Baldassare Cossa (o mesmo que recomendou a eleição de Alexandre V) tornou-se cardeal de Santo Eustáquio no mês de fevereiro de 1402. Dotado de uma intuição política fora do comum, Luís II de Anjou, assim como os demais apoiantes desta linha de papas eleitos a partir do Concílio de Pisa, considerou esta aptidão valiosa para a conclusão da guerra com os restantes ocupantes do trono de São Pedro, fosse ou não considerada legítima esta ocupação.
João XXIII contava com o suporte de Inglaterra, de algumas regiões da Alemanha e de Itália, e de França. Com estas forças conseguiu conquistar Roma, ao derrotar o rei Ladislau de Nápoles, a 22 de abril de 1411. Foi então que o rei napolitano, até aí apoiante de Gregório XII, decidiu reconhecer João XXIII. Contudo, Ladislau voltou a pretender o trono de Nápoles, uma vez que Luís II de Anjou, a quem tinha sido reconhecido o direito por Alexandre V, tinha voltado a França. Os napolitanos invadiram então Roma, tendo João fugido, após a realização de um concílio onde se condenaram as ideias de João Wyclif (que preconizava a pobreza evangélica e dizia que a hierarquia da Igreja era pecadora, podendo os seus bens ser confiscados pelos senhores temporais, entre outros aspetos). Entretanto realizou-se o Concílio de Constança, em 1414, no qual João XXIII foi obrigado a abdicar (16 de fevereiro de 1415). Mas o papa entretanto fugiu para Frisburg, e o Concílio decidiu por maioria que as decisões tomadas por uma reunião deste género teriam primazia sobre qualquer autoridade, inclusivamente a dos pontífices (conciliarismo).
Os representantes do Concílio foram então buscar o papa, que entretanto tinha ido para Breisach, tendo este sido destituído a 28 de maio de 1415 e preso em Gottlieben. Depois do Concílio terminar (22 de abril de 1418), pagou trinta mil florins em ouro, foi libertado e integrou o Colégio Cardinalício romano, depois de obter o perdão do pontífice Martinho V.

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