Joaquim Manuel Magalhães

Ensaísta e poeta, professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Doutorou-se, em 1979, com uma tese sobre A Consequência da Literatura e do Real na Poesia de Dylan Thomas. Codirigiu a revista As Escadas Não Têm Degraus (1989), organizou a edição da Obra Poética de Ruy Belo, da Antologia Poética de Ruy Cinatti e da Obra Poética de Bernardo de Passos. Traduziu, entre outros autores, Kavafis. Autor de duas obras críticas de referência para o estudo da poesia portuguesa contemporânea, Os Dois Crepúsculos e Um Pouco da Morte, a publicação das coletâneas de poesia, Os Dias, Pequenos Charcos e Segredos, Sebes, Aluviões, ambas de 1981, marcam uma nova etapa da poesia mais recente, permitindo a inflexão para um realismo que surpreende pelo seu ancoramento no concreto, por uma referencialidade que jazia, sobretudo na evocação da ruralidade, no imaginário coletivo, surpreendida em pequenos detalhes, em pequenos nadas da descrição. Extraordinariamente versátil e límpida, a poesia de Joaquim Manuel Magalhães impõe-se, assim, segundo David Mourão-Ferreira, "de livro para livro, pela convocação de inúmeros aspetos do mundo natural e do mundo social, através de um discurso que estabelece, entre ambos, os mais inesperados nexos de cumplicidade ou recíprocos processos de rejeição, em que "figuras" como a lítotes, a antífrase, a alusão e a catacrese desempenham papéis preponderantes, em contextos só talvez aparentemente regidos pelos princípios de uma livre associação de imagens ou de um suposto automatismo verbal (...)"(cf. MOURÃO-FERREIRA, David e SEIXO, Maria Alzira - Portugal, a Terra e o Homem, Antologia de Textos de Escritores do Século XX, II Série, Lisboa, F.C.G., 1980, p. 347).
O autor foi distinguido com o prémio 1999 para ensaio do PEN Clube Português.
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