Joaquim Namorado

Licenciado em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, desenvolveu atividade docente no ensino secundário e, após o 25 de abril, no ensino superior. Sendo um dos iniciadores e teóricos do movimento neorrealista, colaborou nos Cadernos da Juventude, nas revistas Altitude, Seara Nova, Vértice, nos jornais O Diabo e Sol Nascente e editou na coletânea de poesia Novo Cancioneiro a sua primeira obra poética, Aviso à Navegação. Militante do Partido Comunista desde os anos 30, toda a ação de Joaquim Namorado, poética, ensaística, doutrinária ou cultural, se desenvolve a partir do reconhecimento do papel do intelectual na divulgação da cultura enquanto instrumento de consciencialização do povo, dotando-o de apetrechos para se elevar e, consequentemente, se libertar politicamente. O processo artístico que serviria melhor este processo de transformação ideológica encontra numa arte realista e de intenção social a forma mais apropriada para uma comunicabilidade imediata, contraposta a expressões estéticas consideradas de crise e de confusão de valores, como certos ismos da arte contemporânea, como o futurismo da geração de Orpheu ou o modernismo presencista. A "Arte para o Povo" não se confunde, porém, com uma "arte popular" que vê no folclore uma via de evasão, de pitoresco e de primitivismo, mas corresponde, sob o modelo de Lorca, a uma "poesia de resistência", "meio de conhecer e atingir as verdadeiras raízes do popular, o seu carácter autêntico, a sua conceção da vida e do mundo, os seus anseios e a sua luta" (Namorado, Vértice, n.° 48, 1947). A criação poética, atenta à natureza e ao Homem, concebida como expressão natural e sincera de uma existência que não é necessário explicar, é para Joaquim Namorado assumida como "necessária", pelo vasto processo de renovação que integra, mas, sobretudo, por aí ressoarem vozes e verdades imanentes: a voz do mundo "ressoando no meu ouvido/ como num búzio um mar perdido" (cit. por PITA, A. P. in Vértice, II, 12.91).
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