Joaquim Paço D'Arcos

Ficcionista, dramaturgo, poeta e crítico, nascido a 14 de maio de 1908, em Lisboa, e falecido a 10 de junho de 1979, na mesma cidade, ocupou, sob o regime salazarista, o cargo de chefe dos Serviços de Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dirigiu o Trans-Zambezia Railway e presidiu à Sociedade Portuguesa de Autores. Várias vezes galardoado com prémios literários, Joaquim Paço d'Arcos colocou, num momento de emergência do Neorrealismo e de polémica sobre a finalidade social do romance, a sua escrita sob os modelos de Stendhal e de Eça de Queirós, escudando sob a imparcialidade dos mestres realistas (cf. O Romance e o Romancista, 1943) um certo conservadorismo doutrinário. Considerando a sua obra liberta de qualquer compromisso político, social ou religioso e vocacionada exclusivamente para valores universais e eternos como a pintura das paixões humanas e o desenho de frescos sociais, nega, ao mesmo tempo, que o apuramento técnico e o trabalho do estilo constituam uma ferramenta fundamental na escrita romanesca. Apesar do aperfeiçoamento de formas e processos visíveis ao longo de mais de trinta anos de prosa, o ciclo de obras que tem por tema a viagem (Herói Derradeiro, Amores e Viagens de Pedro Manuel, Diário dum Emigrante) e os primeiros romances do ciclo das crónicas da vida lisboeta (Ana Paula, Ansiedade, O Caminho da Culpa) privilegiam a objetividade, o visualismo, uma ação linear apenas entrecortada por evocações, a frase simples e a descrição direta.
Como referenciar: Joaquim Paço D'Arcos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-25 12:45:42]. Disponível na Internet: