Joaquín Rodrigo

Joaquín Rodrigo Vidre nasceu em Sagunto (Valencia) no dia de Sta. Cecília, a santa padroeira da música, em 22 de novembro de 1901. Aos 3 anos de idade, perdeu grande parte da visão facto que, segundo o próprio, contribuiu para estimular a sua vocação musical. Aos 8 anos, iniciou os estudos musicais, de piano e violino e mais tarde, aos 16, começou a ter aulas de harmonia e composição, no Conservatório de Valência. As suas primeiras composições datam de 1923: a Suite para Piano, Dos Esbozos para violino e piano e a Siciliana para violoncelo. No ano seguinte, o seu primeiro trabalho para orquestra, Juglares, foi premiado em Valência e Madrid. Também a peça orquestral Cinco Piezas Infantiles teve reconhecimento internacional, em Paris, nesse ano.
Em 1927, seguindo os passos dos seus antecessores Albéniz, Falla, Granados e Turina, mudou-se para Paris, estudando na École Normale de Musique, durante cinco anos. Escreveu, em 1935, a Sonada de Adiós para piano, em memória do seu professor e amigo Paul Dukas. Em pouco tempo, Rodrigo ganhou fama como pianista e compositor, tornando-se amigo de Honegger, Milhaud, Ravel e outras celebridades musicais do seu tempo, entre as quais Manuel de Falla, cujo aconselhamento seria fundamental para a carreira de Rodrigo.
Em 1933, casou com a pianista turca Victoria Kamhi. Continuou os seus estudos no Conservatório de Paris e na Sorbonne, desenvolvendo o seu trabalho também na Alemanha, Áustria e Suíça, antes de regressar a Espanha, em 1939, para se fixar definitivamente em Madrid. No ano seguinte, revelou o seu trabalho mais conhecido, o Concierto de Aranjuez, peça que haveria de trazer-lhe a fama mundial. Desde esse momento, Rodrigo viu-se envolvido em diversas iniciativas culturais e académicas, assumindo cargos de professor, crítico de música em jornais e responsável pela secção artística da Organização Nacional dos Cegos de Espanha (ONCE). Também nesta altura, foi muito solicitado para digressões internacionais, passando por países como os Estados Unidos, o Japão, Israel e vários países da Europa e da América Latina.
A sua música refinada e otimista presta uma justa homenagem à riqueza cultural de Espanha. Apesar de os seus primeiros trabalhos revelarem influências de compositores como Ravel e Stravinsky, o seu toque pessoal emerge para criar um capítulo notável na história cultural da Espanha do século XX.
O seu numeroso trabalho inclui 11 concertos para diversos instrumentos, mais de 60 canções, peças corais e instrumentais e música para teatro e cinema. Alguns solistas consagrados recorreram a trabalhos de Joaquín Rodrigo como, por exemplo, Gaspar Cassadó, Andrés Segovia, Nicanor Zabaleta, James Galway e Julian Lloyd Webber.
Em 1996, o compositor recebeu o mais alto galardão do Estado espanhol, pela primeira vez atribuído a um músico, o Prémio Príncipe das Astúrias.
Faleceu a 6 de julho de 1999, na sua casa de Madrid, na companhia da família. Com o objetivo de assegurar a preservação e a disseminação da música de Joaquín Rodrigo, a sua filha Cecília, casada com o violinista Agustín León Ara, criou a Fundação Victoria e Joaquín Rodrigo em 1999.
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