Joe Dassin

Joseph Ira Dassin nasceu em Nova Iorque a 5 de novembro de 1938. Na ocasião do seu nascimento, o seu pai, o judeu russo Jules, tentava uma carreira como ator, enquanto a mãe, a húngara Béatrice Launer, trabalhava como violinista de uma orquestra feminina. Pouco depois do nascimento de Joseph, a família mudou-se para Los Angeles. O seu pai tornar-se-ia um realizador de sucesso no cinema americano dos anos 40. A fase dourada da família seria abruptamente interrompida com a subida do senador McCarthy ao poder no país e o consequente afastamento de Jules Dassin da atividade cinematográfica, por força das suas convicções políticas. A família deixaria os E.U.A., andando de país em país, estabelecendo-se em Paris, em 1950. O jovem Joseph conseguiria o nível de bacharelato com distinção em Grenoble. O destino parecia indicar-lhe a carreira académica mas o divórcio dos pais, em 1956, levou-o a regressar aos E.U.A.. Seria aí que retomaria o percurso dos estudos, primeiro em medicina, depois em etnologia. Durante os tempos de estudante, Joe (diminutivo de Joseph) sustentaria a sua própria existência com diversas ocupações, até se fixar como DJ na rádio WCX de Detroit, em 1958. Na rádio conheceria Berry Gordy, o famoso criador da Tamla Motown. A estadia nos E.U.A. permitiu a Joe Dassin o conhecimento de várias personalidades de topo como o cantor folk Pete Seeger. Este haveria de apresentá-lo ao jovem Robert Zimmerman (que mais tarde se tornaria conhecido como Bob Dylan). O interesse de Joe pela música crescia gradualmente. Um amigo francês haveria de o aproximar dos clássicos da música de Brassens. Foi também nesta fase que Joe Dassin desenvolveu os seus recursos como guitarrista.
No início da década de 60, o pai ofereceu-lhe um emprego na indústria cinematográfica mas haveria de surgir uma outra oportunidade que seria o ponto de viragem da vida profissional de Joe Dassin: o cargo de radialista da RTL, sediada em Paris. Nos estúdios da RTL, Joe Dassin viria a conhecer um representante da editora discográfica CBS que o convidaria para a gravação do seu primeiro single. "Je Change Un Peu de Vent", uma adaptação de um tema popular americano, foi lançado em março de 1965. Venderia apenas 1800 cópias. Apesar do fracasso, o entusiasmo de Joe Dassin pela vida artística não esmoreceu a motivação do músico. Um encontro quase casual com o compositor Jacques Plaid proporcionaria o contexto certo para Joe Dassin tentar o sonho. As canções de Plaid levariam rapidamente Joe Dassin para o êxito. "Bip Bip", editado em 1966, faria de Joe Dassin uma estrela emergente. O impulso de originalidade incutido por Joe Dassin na música francesa foi uma lufada de ar fresco na cena musical dos anos 60. Ainda em 1966, Joe Dassin casaria com Maryse. A esposa viria a ter um papel decisivo na carreira de Joe Dassin, assumindo as rédeas da carreira do músico, como sua empresária. A novel estrela gravaria os trabalhos seguintes em Londres, obcecado pelo perfeccionismo da produção britânica, nomeadamente o do produtor Johnny Arthey. A estreia em concerto aconteceu em 1967, dando apoio à digressão de Salvatore Adamo. Em 1968, o tema "Les Dalton" trouxe Joe Dassin de novo às tabelas de vendas. Essa canção seria seguida por vários outros êxitos, ao ponto de, em 1969, Joe Dassin ter já garantido um lugar na linha da frente da música francesa. Após uma digressão pelo Canadá e por África, Joe efetuou alguns espetáculos em França, suscitando um culto alargado, especialmente junto do público feminino. Os concertos de Dassin esgotavam muito antes da data e os seus discos vendiam aos milhares. Em 1970, o jovem cantor seria agraciado com o prestigiado prémio Charles Cros da Academia do Disco Francesa. No final do ano, o reconhecimento público ficou consagrado numa atuação no Olympia, a mítica sala parisiense.
No início dos anos 70, o single "Les Champs-Elysées" venceria todos os recordes de vendas anteriores, consolidando o estatuto de Joe Dassin. Seguir-se-ia mais uma série de discos de ouro e de espetáculos esgotados. Em maio de 1972, Joe Dassin compraria uma casa em Bora Bora, dedicando-se a uma nova paixão, a pesca. Em fevereiro de 1974, Joe Dassin regressaria ao Olympia. Por esta altura, o cantor trabalhava com dois compositores franceses, Claude Lemesle e Pierre Delanoé. Esta dupla seria responsável pelo grande êxito comercial da carreira de Joe Dassin, o tema "L'Été Indien", uma adaptação de uma das canções mais conhecidas do intérprete italiano Toto Cutugno. Lançado em outubro de 1975, "L'Été Indien" tornar-se-ia um clássico da música francesa. Nesse mesmo ano, o cantor separar-se-ia de Maryse. No ano seguinte, retomaria o topo das tabelas de vendas em França com o single "Ça Va Pas Changer le Monde". Seguiu-se "A Toi" (1977), outro grande êxito.
O mediático casamento com a jovem Christine Delvaux seria capa de revista durante o ano de 1978. A cerimónia ocorreu em janeiro, na aldeia de Cotignac-en-Provence, com um mar de fotógrafos e admiradores de Dassin. O filho de ambos, Jonathan, nasceria em Paris a 14 de setembro de 1978. No ano seguinte, Joe Dassin regressaria ao Olympia para aquele que seria o último concerto na mítica sala de Paris. Em dezembro desse ano, o cantor sofreria um ataque cardíaco e, mais tarde, ser-lhe-ia diagnosticada uma úlcera no estômago. As sucessivas intervenções cirúrgicas levá-lo-iam a cancelar as datas restantes da digressão. Em março de 1980 nasce o seu segundo filho, Julien. O feliz facto seria manchado pelo segundo divórcio do cantor, algumas semanas depois. O agravamento dos problemas de saúde do cantor levou-o às camas de hospital, em Paris e em Los Angeles. O regresso aos palcos, a 11 de julho de 1980, para atuar numa gala em Cannes, seria a sua última performance. Seguidamente, o músico refugiou-se na casa de Bora Bora com a mãe, os dois filhos e os amigos mais chegados. Um segundo ataque cardíaco seria fatal, o músico pereceria a 20 de agosto de 1980.
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