Jogos Olímpicos de Atlanta, 1996

Os Jogos Olímpicos de 1996 foram realizados em Atlanta, Estados Unidos da América, entre 18 de julho e 4 de agosto e assinalaram o centenário das Olimpíadas da Era Moderna, iniciadas em 1896, em Atenas. Os Jogos de Atlanta reuniram mais de dez mil atletas em representação de 197 nações. Concebido para acolher as mais importantes provas destas Olimpíadas, o estádio olímpico de Atlanta, cuja construção custou 207 milhões de dólares, encheu por completo os seus 85 mil lugares para as cerimónias de abertura e encerramento, bem como para as provas de atletismo. Os números finais da organização apontam para mais de 10 milhões de ingressos comprados. As diversas falhas organizativas que se registaram ao longo desta edição, desde insuficiências de transporte a deficiências do sistema informático, abriram lugar às críticas dos que defendiam a realização dos Jogos de 1996 em Atenas, capital grega onde os Jogos Olímpicos se iniciaram em 1896.
Estes Jogos de Atlanta ficaram ainda manchados por um atentado terrorista, ocorrido oito dias depois da cerimónia de abertura, em pleno Parque Olímpico, que matou duas pessoas e feriu 111, fazendo o mundo recear a reedição da tragédia ocorrida em 1972 em Munique. No desfile da cerimónia inaugural, o chefe da comitiva polaca, Eugeniusz Pietatski, morreu devido a um ataque cardíaco. Os americanos dominaram intensamente estes Jogos centenários, com um total de 101 medalhas conquistadas, contra 63 da Rússia. Esta foi também a edição em que mais países tiveram campeões olímpicos, 53, e atletas medalhados, 79. Os africanos conseguiram o primeiro triunfo num desporto coletivo, graças à vitória da Nigéria no torneio de futebol, em que Portugal ficou no quarto lugar. Em Atlanta, os russos voltaram a competir sob a bandeira da Rússia, 84 anos depois de o terem feito pela primeira e única vez, em Estocolmo 1912. A desagregação dos países comunistas do Leste europeu levou à estreia de várias nações nestes Jogos de 1996.
Na pista de atletismo, destacaram-se para as vitórias do americano Michael Johnson nos 200 e 400 metros, com um record mundial na primeira distância em 19,32 segundos, quando o anterior máximo estava fixado em 19,72. Carl Lewis voltou a ganhar a prova de salto em comprimento, o quarto título olímpico consecutivo nesta prova, e arrecadou a sua nona medalha de ouro olímpica. Lewis ficou com o melhor palmarés de todos os tempos. No basquetebol, os Estados Unidos fizeram participar o "Dream Team II" e não tiveram dificuldades em ganhar a medalha de ouro mais uma vez. O ciclismo abriu pela primeira vez a possibilidade de competirem ciclistas profissionais e o super-campeão espanhol Miguel Indurain não perdeu a oportunidade para ganhar o ouro na prova de contrarrelógio individual.
Nestes Jogos Centenários, Portugal esteve pela primeira vez representado por mais de 100 atletas a competir em 18 modalidades. O saldo da participação portuguesa acabou por ser positivo, graças à medalha de ouro alcançada por Fernanda Ribeiro na prova de 10 mil metros em atletismo, onde derrotou a chinesa Wang Yunxia na reta final, e à medalha de bronze dos velejadores Hugo Rocha e Nuno Barreto na classe 470. Além destas medalhas, há ainda a destacar os dois quartos lugares alcançados pela dupla do volei de praia, Miguel Maia e João Brenha, e pela equipa de futebol. Portugal acabou por contabilizar um total de doze presenças entre os dez primeiros classificados nas várias provas.
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