John Milton

Poeta e polemista inglês, nasceu em 1608, em Londres, e foi educado em Cambridge a partir de 1625. Iniciou-se na poesia aos 17 anos com dois textos promissores: On the Death of a Fair Infant e Dying of a Cough, a que se seguiram At a Vacation Exercise (1628) e On the Morning of Christ's Nativity (1629). Depois de abandonar o Christ's College, Cambridge, em 1632, Milton viveu durante cinco anos na casa do pai em Horton, onde escreveu os poemas L'Allegro e Il Penseroso (1633), Arcades, Comus (1634) e a elegia Lycidas. Entre 1638 e 1639 viajou pela Europa; a passagem por Itália e o contacto com os intelectuais florentinos influenciaram-no de modo particular e marcaram o desenvolvimento posterior da sua carreira. A viagem continental de Milton reforçou a sua antipatia em relação ao catolicismo romano. O regresso de Milton a Inglaterra em 1639 marcou o início da segunda fase da sua carreira, com a participação do escritor na luta política do seu tempo ao lado de Oliver Cromwell. Desse período datam os seus escritos polémicos a favor da causa republicana e os manifestos de natureza política e religiosa: Of Reformation (1641), Apology for Smectymnuus (1642), a defesa da liberdade pessoal inserida em The Doctrine and Discipline of Divorce (1643). Entre 1640 e 1655 Milton dedicou-se menos à poesia do que ao confronto político que a causa de Cromwell nele despertara. Escreveu ainda Aeropagitica (1644), Tenure of Kings and Magistrates (1649), Eikonoklastes (1649), duas defesas do povo inglês (1651 e 1654), A Treatise of Civil Power (1659) e A Readie and Easy Way to Establish a Free Commonwealth (1659), composto pouco antes do regresso a Inglaterra de Carlos II e da restauração da monarquia. Os escritos de Milton revelam a convicção de que o projeto político de Cromwell concretizava uma transformação para a qual os ingleses haviam sido eleitos. Na fase final da sua carreira Milton, já cego, produziu a sua grande obra poética, onde se destaca Paradise Lost (O Paraíso Perdido), iniciado em meados de 1650. O poema épico, onde se interseccionam questões teológicas e políticas que refletem um período conturbado da história da Inglaterra, segue o modelo das epopeias clássicas de Homero e Virgílio. Paradise Lost foi publicado em 10 volumes em 1667; teve uma segunda edição revista e apresentada em 12 volumes em 1674, pouco antes da morte de Milton. A sua obra foi completada com Paradise Regained (1671) e Samson Agonistes (1671). O estilo de Milton refletia uma elevada conceção das funções da poesia, associada a preocupações em torno da liberdade política e religiosa que o acompanharam desde a juventude. Desde o período pré-romântico, Milton tem sido considerado um dos mais importantes poetas da Inglaterra. Para os poetas românticos, o poema Paradise Lost foi um texto particularmente significativo. Faleceu em 1674.
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