John Reed

Jornalista e poeta norte-americano, John Silas Reed nasceu a 22 de outubro de 1887, em Portland, no estado do Oregon. Oriundo de uma família abastada, teve acesso a uma educação privilegiada. Estudante em Harvard, teve uma atividade extra-curricular bem preenchida: fez parte da equipa de natação, do grupo de teatro, foi o orador da turma e pertenceu ao corpo editorial das publicações universitárias Harvard Monthly e do Lampoon.
Obtendo o seu diploma dessa instituição em 1910, empreendeu uma viagem pela Inglaterra e pela Espanha. De regresso aos Estados Unidos da América, Reed instalou-se em Greenwich Village e deu início a uma carreira no jornalismo, colaborando com revistas de orientação política de esquerda. Foi preso nesta época por ter tentado ser porta-voz de um grupo de grevistas na Nova Jérsia.
Em 1913 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de poemas com o título Sangar. Dois anos antes havia partido para o México como enviado especial da Metropolitan Magazine e do World, para fazer a cobertura da Revolução Zapatista. Convivendo cerca de quatro meses com Pancho Villa e o seu exército, decidiu escrever Insurgent Mexico (1914), um relato da revolta dos índios nesse país. Com a deflagração da Primeira Grande Guerra, Reed foi destacado como correspondente de guerra ao serviço da Metropolitan Magazine, mas nem todos os seus artigos seriam aceites, por causa de implicações políticas de esquerda. Se a sua experiência de guerra no México lhe mostrara um grupo de índios com ideais românticos de liberdade e independência, o palco de batalha na Europa deprimiu o autor pela desumanidade e pela crueldade. Acabou por ter que ser evacuado do continente em 1916, para ser operado a um rim nos Estados Unidos da América. Reed era, na altura, um dos repórteres mais bem pagos do seu país.
No outono de 1917, e na consequência da Revolução Russa, Reed partiu para São Petersburgo na qualidade de repórter para a publicação de esquerda The Masses, onde a manifestação das suas simpatias pelos ideais comunistas e bolcheviques pôs em causa a continuidade desse jornal. Começou a compor o poema America em território russo, em 1918.
Em 1919, de regresso ao seu país natal, fervilhava de entusiasmo pela aplicação das ideias comunistas a um plano real, pelo que se tornou ativista e assumidamente comunista. Começou a escrever para o The New Communist, tornou-se editor do Voice of Labor e, no verão desse mesmo ano, participou no comício do Partido Socialista da América em Chigaco, que resultaria na cisão do mesmo, e na fundação do Partido Comunista Trabalhista, do qual foi nomeado presidente.
Enviado para a Rússia para conseguir o reconhecimento do partido acabado de fundar pela Terceira Internacional, valou o Golfo da Finlândia escondido a bordo de uma embarcação, arribando à cidade de Turku no outono de 1919. Fazendo uma etapa em Helsínquia, pôde conhecer personalidades compartilhando das mesmas afinidades políticas como a escritora Hella Wuolijoki.
Chegando em novembro à Rússia, foi recebido várias vezes por Lenine no Kremlin, a quem ofereceu a sua obra Ten Days That Shook The World (1920, Dez Dias Que Abalaram o Mundo). Concentrando-se sobretudo no momento em que os Bolcheviques foram instigados por Lenine a despoletar a Revolução propriamente dita, a obra relata, com um entusiasmo por vezes parcial, esse acontecimento e ponto de viragem da História da Rússia.
Tentando regressar aos Estados Unidos da América, deparou-se com as refregas entre comunistas e conservadores que, da Rússia, haviam alastrado à Europa de Leste, e que haviam dado, por exemplo, azo à independência de alguns estados, como a Finlândia, que Reed tentou atravessar.
Apanhado pelas autoridades ao tentar zarpar de Turku num porão de carvão, foi conduzido a um chuveiro, onde foram descobertos na sua posse cento e dois diamantes, uma considerável quantia em dinheiro, e correspondência assinada por Lenine e por Trotski. Como se tornou evidente que também a polícia de Chicago o procurava por suspeitas de anarquia criminosa, optou por tornar a São Petersburgo quando foi libertado, ao fim de três meses de prisão por contrabando.
Foi então eleito membro do Comité Central do Comintern mas, depois de uma estadia em Baku, contraiu tifo, pelo que faleceu, a 19 de outubro de 1920. O seu cadáver encontra-se sepultado junto ao Kremlin, em local reservado aos heróis bolcheviques.
Como referenciar: John Reed in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-20 10:23:47]. Disponível na Internet: