Jorge Peixinho

Compositor português, nasceu em 1940, no Montijo, e faleceu a 30 de junho de 1995.
Com apenas 21 anos, obteve o diploma de aperfeiçoamento em Composição na Academia S. Cecília, em Itália, isto já depois de ter feito o curso de Piano e Composição no Conservatório de Lisboa. Entretanto, ainda estudou como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian com Boris Perena e Godofredo Petrassi. Depois de ter deixado a Academia de S. Cecília, trabalhou com Luigi Nono, em Veneza, antes de ingressar na Academia de Basileia, na Suíça, onde teve a oportunidade de aprender com Pierre Boulez e Karlheinz Stockhausen. Com este último músico participou, em 1967 e 1968, nos projetos de composição coletiva por ele promovidos e dirigidos em Darmstadt, na Alemanha Ocidental, onde Jorge Peixinho frequentou também vários cursos internacionais durante toda década de 60.
Simultaneamente, o compositor português ia participando em diversos festivais de música contemporânea, como o de Gaudeamus, na Holanda, em 1963, o de Madrid, em Espanha, e o de Veneza, em Itália, em 1964, o de Royan, em França, e o de Santos, no Brasil, onde marcou presença diversas vezes. Peixinho, em parceria com outros artistas portugueses, fundou em 1970 o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, que se revelou muito importante na divulgação e promoção da nova música portuguesa.
Na década de 70, o compositor do Montijo, graças à participação em vários festivais internacionais, deu concertos um pouco por toda a Europa, passando por países como a Holanda, França, Espanha, Itália, Jugoslávia e Polónia, e fez também uma digressão no Brasil.
Em 1972, fez um estágio em Gent, na Bélgica, no estúdio de música eletrónica IPEM. Começou também a ser convidado para membro de júris de concursos internacionais de composição, atividade em que se estreou no Brasil, em 1970, no Festival de Guanabara, no Rio de Janeiro. A partir daí, sucedeu-se uma série de participações em festivais do mundo inteiro na qualidade de elemento do júri, como aconteceu nos prémios Martin Codax, em Vigo (Espanha), Fernando Pessoa, em Lisboa, e no Concurso Viotti, em Vercelli (Itália).
Mas, para além de contribuir na atribuição de troféus, também o próprio Jorge Peixinho conquistou alguns, como os prémios de Composição Gulbenkian, da Sociedade Portuguesa de Autores e do Conselho Português de Música.
Já perto de finais da década de 70, mais precisamente desde 1977, o compositor português passou a ser membro do Conselho Presidencial da Sociedade Internacional de Música Contemporânea. Dois anos mais tarde, realizou pela primeira vez trabalhos no estúdio de música eletrónica de Bourges, na França, situação que se repetiu em 1989 e em 1992, isto enquanto colaborava regularmente nos Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea.
Ao longo da sua carreira, Jorge Peixinho recebeu encomendas para realizar obras para instituições como a Secretaria de Estado da Cultura, a Fundação Gulbenkian, a Comissão dos Descobrimentos, o Conselho Português de Música, entre outras, em Portugal. Do estrangeiro vieram encomendas de França, Canadá, Itália e Espanha.
Jorge Peixinho faleceu em 1995, depois de ter trabalhado com muitos músicos e agrupamentos nacionais e estrangeiros, salientando-se o nome do saxofonista francês Daniel Kientzy.
Da sua discografia constam vários títulos, entre os quais Música I (1971), com cinco pequenas peças para piano, CDE (1974), gravado com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Jorge Peixinho, com a Orquestra Sinfónica de Budapeste, Obras Para Guitarra e Clarinete, Peixinho Kientzy e uma coletânea de música portuguesa do século XX, obra encomendada pela Câmara Municipal de Matosinhos, que incluía as peças À Flor das Águas Verdes e Noturno No Cabo do Mundo.
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