José do Patrocínio

Jornalista, escritor e orador brasileiro, José Carlos do Patrocínio nasceu a 9 de outubro de 1853, em Campos, no Rio de Janeiro (Brasil).
Filho de um padre e de uma escrava, José do Patrocínio foi para o Rio de Janeiro, com 13 anos, onde trabalhou como servente de pedreiro na Santa Casa da Misericórdia e frequentou o externato de João Pedro de Aquino. Em 1874, formou-se em Farmácia pela Faculdade de Medicina e, descobrindo a sua vocação jornalística, publicou os Ferrões, em 1875, com Dermeval da Fonseca, assinando os seus artigos com o pseudónimo de Nortus Ferrão. Em 1877, entrou para a Gazeta de Notícias, ficando encarregado pela "Semana Parlamentar", que assinava com o pseudónimo Prudhome.
Em 1879, começou a campanha pela abolição da escravatura, formando à sua volta a Associação Central Emancipadora, um grupo de jornalistas e oradores, tais como Joaquim Nabuco, Teodoro Sampaio, Paula Ney, entre outros. Em 1881, com dinheiro emprestado do sogro, comprou o jornal Gazeta da Tarde, onde fez propaganda pelo abolicionismo, tornando-se conhecido por "Tigre do Abolicionismo". Fundou a Confederação Abolicionista e, em maio de 1883, juntamente com André Rebouças e Aristides Lobo, redigiu um manifesto pela causa. Em setembro de 1887, deixou a Gazeta da Tarde e tornou-se fundador e diretor do jornal Cidade do Rio, para o qual colaboraram literatos importantes. Em 1889, o jornalista não participou na Implantação da República e, dois anos depois, opôs-se ao Marechal Floriano Peixoto. Em 1893, o jornal Cidade do Rio foi suspenso e Patrocínio teve de refugiar-se, em Cucuí, no Amazonas, para evitar agressões.
Nos últimos anos, a sua atividade jornalística e a sua participação política ficou bastante reduzida. Entretanto, dedicou-se à aviação, mandando construir o balão "Santa Cruz", que nunca chegou a levantar voo.
Como escritor, José do Patrocínio publicou três romances: Mota Coqueiro ou A Pena da Morte (1887), Os Retirantes (1879), Pedro Espanhol (1884).
José do Patrocínio, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, faleceu a 30 de janeiro de 1905, no Rio de Janeiro, em consequência de uma hemoptise.
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