José Ribeiro de Castro

Advogado, político e jornalista português, José Ribeiro de Castro nasceu a 7 de abril de 1848, em Valhelhas, concelho e distrito da Guarda, e faleceu a 31 de junho de 1929. Obteve a licenciatura em Direito em 1887 pela Universidade de Coimbra, mas foi ao jornalismo que primeiro dedicou a sua atividade, tendo sido redator chefe do Distrito da Guarda desde o seu primeiro número. Desde cedo mostrou também grande interesse pela política, aderindo ao Partido Progressista, que vem a abandonar em 1881, ano em que enfileira no Partido Republicano. Era um fervoroso ativista e propagandista da causa republicana. No ano seguinte, fundou o primeiro jornal republicano do seu distrito natal, O Povo Português, semanário que se extinguiu em 1884, mas que na sua existência conheceu colaboradores de grande nomeada, como Alves da Veiga, Rodrigues de Freitas ou Magalhães Lima.
José Ribeiro de Castro abriu, em 1885, um escritório de advocacia em Lisboa, depois de ter estado na Madeira a defender gratuitamente um grupo de amotinados. Tornou-se, em pouco tempo, um reputado advogado da capital. Esteve também ligado à Maçonaria, desde 1869, ano em que se iniciou na numa loja coimbrã, a "Federação de Coimbra". Chegou a atingir o grau de grão-mestre adjunto dentro da Maçonaria. As suas atividades como maçon prenderam-se fundamentalmente com a propaganda republicana e com a organização de atividades de suporte político a uma eventual instauração da República. No entanto, devido a ausência em França, José Ribeiro de Castro, não foi informado do movimento do "5 de outubro de 1910". Todavia, não deixou de estar na linha da frente dos republicanos portugueses e de encetar uma carreira governamental.
Neste contexto, para além de deputado, senador e ministro, tornou-se chefe de governo na sequência da vitória de fações republicanas no "14 de maio de 1915" sobre o general Pimenta de Castro, que foi deposto e substituído por uma Junta Revolucionária ( no poder apenas até ao dia seguinte, 15 de maio) e depois por João Pinheiro Chagas, que esteve apenas até dia 17 do mesmo mês (dois dias incompletos, devido a ferimentos graves perpetrados por um deputado, João de Freitas, que sobre ele disparou). José Ribeiro de Castro foi então pela primeira vez chamado a presidir a um governo, que durou até 19 de junho daquele ano de 1915. Nesse mesmo dia, constituiu um novo governo, que não passaria, porém, de 22 de julho seguinte, dia em que iniciou o seu mais longo Ministério, que permaneceu no poder até 29 de novembro.
José Ribeiro de Castro, apesar de apaixonado republicano e propagandista ativo, era tido como uma figura de grande prestígio político e notável tolerância. Contudo, ficou extremamente abalado com a morte do seu filho, também político e estadista, Álvaro Xavier de Castro (1878-1928), também chefe de governo em 1920 e 1923, uma figura notável precocemente desaparecida. A sua morte abalou imenso José Ribeiro de Castro, que, também desagradado com a vida política nacional e com a ingratidão de muitos dos seus pares, viria a falecer um ano depois do filho.
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