Juhani Aho

Jornalista e primeiro escritor profissional finlandês, Juhani Aho nasceu a 11 de setembro de 1861, em Lapinlahti, na parte oriental do país, com o nome Juhani Brofeldt. Quando o pai foi nomeado padre da freguesia de Iisalmi, em 1884, a família mudou-se para a paróquia de Vieremä. A mãe descendia de uma família pietista, os Snellman, nome influente na Finlândia.
Entre os anos de 1872 a 1880, o jovem Juhani estudou em Kuopio, tendo começado, neste período, a escrever poemas influenciados pela obra de J. L. Runenberg, de Heinrich Heine e Schiller. Ingressou em 1880 na Universidade de Helsínquia, mas os estudos de Filologia Clássica não o entusiasmaram, pelo que os abandonou quatro anos depois sem ter obtido o diploma. Tinha começado a trabalhar como jornalista e já tinha publicado, em 1883 o seu primeiro livro, Siihen Aikaan Kun Isä Lampun Osti (Quando o Pai Trouxe Um Lampião Para Casa), uma coletânea de contos, cujo estilo viria a ser apodado de lastuja, ou "farpas", e que refletiam a modernização da vida do povo finlandês, a sua adaptação ao progresso.
Em 1884 seguiu-se a obra considerada pela crítica como a mais importante da sua carreira, Rautatie (Caminho de Ferro), em que o autor conta a história de um casal da província que resolve empreender a sua primeira viagem de comboio. Dois anos depois, passou a editar o jornal Keski-Suomi em parceria com o seu irmão Pekka Brofeldt e, de 1887 a 1889 colaborou no jornal Savo, em Kuopio, fez parte da fundação do diário Päivälehti, e, seguindo no outono para Paris, escreveu como correspondente a partir da Feira Mundial de 1889. A experiência deu os seus frutos em Yksin (1890), pequeno romance em que Aho descreve a vida da comunidade finlandesa nos meandros da Cidade da Luz. Casou em 1891, com a pintora Venny Soldan, e viajou até destinos como a Carélia russa e a Itália, que lhe deram inspiração para um novo romance, Panu (1897), uma história da floresta e de vivências pagãs e panteístas, em disputa pelo confim da aldeia, nas figuras de um xamã e um padre cura.
A família sentiu-se atraída pelo fascínio que as margens do lago Tuusula vinha exercendo sobre as notoriedades da vida cultural finlandesa, agrupadas em torno de Jean Sibelius (grande compositor finlandês), e aí se estabeleceu.
Estimado e respeitado pelos meios culturais e políticos do seu país, que chegaram a sugeri-lo como candidato finlandês ao Prémio Nobel da Literatura, Aho procurou conciliar as partes beligerantes durante a Guerra Civil Finlandesa (1917-18). Assim, após o grande sucesso de Juha (1911), Aho surge, em 1918 e 1919, com Hajamietteitä Kapina Viikpoilta, em que estabelece uma série de considerações introspetivas e pacifistas.
Juhani Aho faleceu a 8 de agosto de 1921, em Helsínquia.
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