Júlia de Almendra

Violonista, musicóloga e pedagoga portuguesa, Júlia de Almendra nasceu a 3 de outubro de 1904, em Samões, Vila Flor. Precocemente, iniciou os seus estudos musicais no Curso Geral de Violino. Posteriormente, estudou no Conservatório Nacional de Música de Lisboa. Como violinista participou em diversos concertos, tendo em 1915 atuado no Teatro de S. Carlos, com apenas 11 anos. Foi membro da Sociedade Coral Duarte Lobo, com a qual colaborou em alguns concertos, no teatro Politeama de Lisboa.
Dedicou-se ao estudo da música religiosa da Idade Média e do Renascimento.
De 1943 a 1946, Júlia de Almendra dirigiu uma classe de Canto Gregoriano no Instituto de Serviço Social de Lisboa, a primeira existente em Portugal. Mais tarde, fundou e dirigiu o Grupo Coral das Florinhas da Rua. A convite do Instituto Francês de Lisboa e com uma bolsa de estudo do Governo francês, especializou-se em Paris. Na capital francesa frequentou o curso de Musicologia na Sorbonne e no Instituto Gregoriano da Universidade Católica, tendo obtido não só a licenciatura, como também o título de «Mestre de Capela», em 1948, com o estudo Les Modes Grégoriens dans l'oeuvre de Claude Debussy. Durante dois anos, Júlia de Almendra estudou Paleografia Musical com Jacques Ghailley, subdiretor do Conservatório Nacional de Paris, frequentando igualmente o curso especial do «Método Ward», do professor Lennards, inspetor oficial das escolas da Holanda que, nessa altura, regia o curso em Paris. Participou nos grandes Concertos de Polifonia e de Canto Gregoriano realizados no Palais de Chaillot, na Sala Pleyel, na Catedral de Notre-Dame e noutras igrejas de Paris.
Grande impulsionadora do movimento gregoriano em Portugal, Júlia de Almendra promoveu a I Semana de Formação Gregoriana e Litúrgica, durante a Páscoa de 1950, em Fátima. Paralelamente a esta iniciativa, organizou as «Jornadas Gregorianas», alargando este movimento a outras cidades como Évora, Coimbra, Faro, Lisboa e Funchal. Em dezembro de 1951 criou a Liga dos Amigos do Canto Gregoriano e, dois anos mais tarde, o Centro de Estudos Gregorianos, que se tornou entidade do Estado em 1976, passando então a denominar-se Instituto Gregoriano de Lisboa. Nesta cidade criou o grupo coral Cantate Domino, constituído por 500 elementos.
A ação de Júlia de Almendra em prol da difusão da música sacra em Portugal procurou, por um lado, seguir os princípios orientadores contidos nos vários documentos conciliares emanados de Roma - nomeadamente num código jurídico sobre música sacra, que reconhece ao canto gregoriano qualidades para ser o canto próprio da liturgia romana, do Papa S. Pio X - por outro, como pedagoga, dar cultura e formação musical, insistindo, assim, em suprir uma lacuna na educação musical do país.
Júlia de Almendra foi membro da Sociedade Francesa de Musicologia e da Sociedade Internacional de Musicologia de Basileia. A par da intensa atividade musical pronunciou conferências em Portugal, França e Brasil, e publicou artigos sobre a sua especialidade em jornais e revistas, nacionais e estrangeiras.
Júlia de Almendra morreu a 22 de setembro de 1992.
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