Júlio

Artista plástico, Júlio Maria dos Reis Pereira nasceu em 1902, em Vila do Conde, e morreu em 1983, na mesma cidade. Em 1919 descobre reproduções de pinturas de Chagall que o levam a conceber um expressionismo lírico que caracterizará o aspeto essencial de toda a sua obra. Nesse mesmo ano, matricula-se na Faculdade de Ciências, licenciando-se em Engenharia Civil, em 1928. Simultaneamente, entre 1919 e 1921, frequentou como aluno voluntário a Escola de Belas-Artes do Porto. Em 1923 inicia uma série de pinturas a óleo, que terminará em 1935 e o colocam, depois de Amadeo, como o iniciador do expressionismo em Portugal.
Irmão do poeta José Régio, fez parte do grupo da revista Presença (1927-1940) e ilustrou vários livros. Sob o pseudónimo de Saul Dias publicou alguns livros de poesia. Existe uma relação muito próxima entre a sua produção poética e a sua atividade como artista plástico. Artista da segunda geração modernista, revela nas obras de um primeiro período, que decorre mais ou menos até ao final da década de 30, um expressionismo lírico com influência de Chagall, para, a partir de 1930, sofrer a interferência da vontade de satirizar a burguesia com a agressividade e o dramatismo de um olhar crítico sobre o mundo, com frequência representado pela figura gorda e boçal do burguês e pelas suas vítimas femininas, que tiveram o caricaturista alemão George Grosz como referência principal. O artista começou a tornar-se conhecido, a partir de 1935, pela sua atividade como desenhador, principalmente pelas séries intituladas Poeta e Palhaço, realizadas em Évora.
Participou em numerosas exposições coletivas, nomeadamente no Primeiro Salão dos Independentes, na SNBA (1930), na Primeira Exposição dos Artistas Modernos Independentes (1936) e em todas as Exposições Gerais de Artes Plásticas, na SNBA (1946-1956).

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