Júlio Pereira

Compositor e instrumentista, Júlio Pereira, nascido em 1953, aprendeu a tocar bandolim com seu pai quando tinha 7 anos. Enquanto adolescente, em simultâneo com os estudos, aprendeu a tocar guitarra e fez parte de vários grupos de rock.
A estreia em termos discográficos deu-se no início da década de 70 com o grupo Xarhanga, com o qual gravou os singles "Acid Nightmare" (1971) e "Great Coat" (1972), que foram dos poucos discos gravados em Portugal, antes do 25 de abril, por um grupo rock. Júlio Pereira tocou órgão, piano e guitarra.
Em 1973, fez parte do grupo rock Petrus Castrus, liderado por Pedro Castro. Desse projeto surgiu o álbum Mestre, inteiramente cantado em português, cujos temas incluíram textos de Sofia de Mello Breyner, Alexandre O'Neill, Ary dos Santos, Bocage e Fernando Pessoa. A cargo de Júlio Pereira ficaram as violas. Após o 25 de abril, Júlio Pereira e Carlos Cavalheiro decidiram gravar um álbum de sonoridade rock, visando homenagear os movimentos das ex-colónias portuguesas. Para este trabalho, intitulado Bota Fora (1975), convidaram diversos cantores e autores, tais como Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino, José Mário Branco e Sérgio Godinho, entre outros.
Em 1976 compôs Fernandinho Vai Ó Vinho (1976), uma opereta levemente rock que retrata a vida de um jovem na sociedade pós-25 de abril. Surgem neste projeto artistas como José Afonso, Herman José, Jorge Palma, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Vitorino, Eugénia Melo e Castro e Sérgio Godinho, entre outros. Em 1978 surgiu Lisboémia, uma outra opereta, que contou com as presenças de Mário Viegas e Lia Gama.
Com Mãos de Fada (1979), Júlio Pereira afastou-se progressivamente do rock, procurando novas referências. Trata-se do primeiro disco do autor onde se indiciam alguns elementos da música tradicional portuguesa. Este trabalho representou um ponto de viragem no seu percurso musical no sentido de uma carreira exclusivamente instrumental.
Em 1981 gravou o álbum Cavaquinho, o seu primeiro sucesso comercial, o qual recebeu o Prémio da Crítica e da Imprensa.
A este trabalho seguiram-se: Braguesa (1983), que representa a exploração da viola braguesa; "Cadói" (1984), em que o autor grava sozinho cerca de 30 instrumentos, e cujo tema "Nortada" viria a originar várias coreografias interpretadas por diversos grupos de dança do país; Os Sete Instrumentos (1986), um disco de inéditos; Miradouro (1987), álbum inspirado por elementos etnomusicais de cada uma das regiões de Portugal, e que atingiu a marca de disco de ouro; O Melhor de JP (1990); Janelas Verdes (1990), disco cujos temas surgiram da inspiração de pinturas de autores contemporâneos; O Meu Bandolim (1992), Acústico (1994), trabalho que apresenta um ambiente mais intimista, originando um novo conceito de espectátulo, em trio com Moz Carrapa e Minela, com várias atuações no estrangeiro; e "Lau Eskutara" (1995), disco que nasceu do contacto com Kepa Junkera, músico virtuoso da Trikitixa - pequeno acordeão popular do País Basco.
Ao longo de três décadas de carreira, Júlio Pereira tocou um pouco por todo o mundo, nomeadamente Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e Itália, Canadá, Cabo Verde, Moçambique e Macau.
As colaborações em discos de outros artistas incluíram nomes como The Chieftains, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé, Fausto, José Afonso, Carlos do Carmo, Paulo de Carvalho e Adriano Correia de Oliveira.
Em 2001, o músico editou Rituais, acompanhado por um único espetáculo, no Coliseu do Porto, integrado nas iniciativas da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. Dois anos mais tarde, Júlio Pereira lançou Faz-de-conta. Partindo do poema "Aquela Nuvem", de Eugénio de Andrade, o instrumentista fez um disco para crianças, contando com a participação de duas crianças com 4 anos de idade (Simão e Julinha) e a colaboração de Sara Tavares.
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