juro

O juro é um conceito central da análise económica e financeira e é desde há muito objeto de opiniões diversas relativamente às razões que justificam a sua existência e ao próprio papel social que desempenha.
Numa perspetiva lata, o juro corresponde à remuneração de um capital, sendo que este capital pode consistir em dinheiro ou outro elemento, como seja um equipamento, uma máquina ou outro bem similar. Nesse contexto, o juro corresponde assim ao valor a que tem direito um detentor de capital pelo facto de permitir a outra entidade o usufruto temporário desse capital. Na prática, o conceito de juro é mais utilizado para operações que envolvem dinheiro, definindo-se nestes casos como o preço pago por um mutuário a um mutuante pelo facto de este lhe ter cedido o direito de utilização de uma determinada quantia em dinheiro durante um determinado período de tempo.
Em qualquer dos casos, o conceito de juro está diretamente ligado ao de taxa de juro, que corresponde ao juro produzido por uma unidade de capital numa unidade de tempo, e que permite, portanto, o cálculo do juro de uma determinada operação através da sua aplicação ao capital em causa. Um outro aspeto importante relativamente ao juro tem a ver com os fatores que o influenciam, pelo menos diretamente. Nesse contexto, pode dizer-se que o juro é influenciado pelos seguintes fatores fundamentais: valor do capital, sendo que quanto maior o capital cedido, maior o juro produzido; tempo da operação, sendo que mais uma vez quanto maior o tempo de cedência maior o juro produzido; inflação, sendo que quanto maior a taxa de inflação, menor o juro real produzido, mas tendo em conta ao mesmo tempo que a previsão da inflação é muitas vezes incorporada na definição da taxa de juro; o risco da operação, sendo que a este nível é de esperar que quanto maior o risco (associado designadamente à entidade a quem é cedido o capital), maior o juro exigido.
Finalmente, é importante abordar as explicações teóricas para a existência de juro nas economias. A ideia de que o juro faz sentido na medida em o credor de uma operação de cedência de capital poderia ter obtido um rendimento se não tivesse emprestado esse capital surgiu apenas no século XVI. A partir daí, as explicações relativamente à existência de juro dividem-se em duas vertentes fundamentais: por um lado as chamadas teorias reais do juro buscam explicação nos fatores económicos reais que explicam a procura e a oferta de capitais; por outro lado, as chamadas teorias monetárias do juro, que o associam apenas à relação entre procura e oferta de moeda.
Do lado das teorias reais do juro, o contributo mais importante é o de Bohm-Bawerk, um dos expoentes da chamada escola austríaca de economia, segundo o qual o juro resulta da troca de bens presentes por bens futuros, que implica a existência de um valor superior dos primeiros, na medida em que os agentes têm preferência pela satisfação imediata de necessidades face à opção de o fazer no futuro. Paralelamente, a cedência de um capital implica que não se possa usar esse capital num processo produtivo anterior àquele em que poderá ser utilizado no futuro e que propiciaria um rendimento. Assim, o juro provém da ação conjunta da preferência pelos bens no presente e da produtividade dos capitais, que por sua vez, ao serem refletidas no mercado de capitais, dão origem à taxa de juro. Assim sendo, a moeda não desempenha um papel direto na formação da taxa de juro.
As teorias monetárias, que têm como principais partidários os raciocínios de Wicksell e Keynes, a moeda é o fator determinante do juro. Segundo Keynes, a moeda é procurada por mais funções do que apenas a de instrumento de trocas, incluindo objetivos de precaução e de especulação. Estas considerações estão ligadas a um fenómeno de preferência pela liquidez, sendo que o juro e a taxa de juro acabam por resultar apenas do encontro entre a procura e a oferta de moeda, sendo independentes da poupança e do investimento.
Na prática é habitual considerar-se que ambas as teorias abordam questões que em maior ou menor grau efetivamente justificam a existência do juro nas sociedades.

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