justificação

A justificação dá-nos a razão de uma ação. A razão racionaliza a ação e dá uma justificação, na medida em que o jogo de linguagem, que consiste em perguntar as razões de uma ação, é o mesmo que permite a sua justificação.
As questões da justificação da ação e da responsabilidade não podem ser colocadas senão em relação às descrições intencionais das ações. A ação intencional é aquela cuja resposta ao seu porquê? refere intenções, razões, motivos, pensamentos, sentimentos. Determinados autores, como Von Wright, consideram que, para falar de justificação, a noção de razão é preferível à de motivo. As razões são dadas na justificação de uma ação, enquanto que os motivos a explicam. Os motivos são, segundo Von Wright, as razões atuais que impelem ou conduzem os indivíduos para a ação.
As razões e as racionalizações têm, portanto, uma relação de justificação com as ações. Mas em que consistem as descrições das ações pelas suas razões? Segundo Elizabeth Anscombe, trata-se de reportar as ações às atitudes, às crenças, aos desejos, aos usos e costumes, às regras sociais ou às práticas instituídas. É, aliás, com Wittgenstein que a intenção ou a razão da ação é entendida como fazendo parte das regras, das atitudes ou das práticas. Como ele observa: "A intenção é inerente à situação, aos costumes e às instituições humanas. Se não houvesse uma técnica do jogo de xadrez, eu não poderia ter a intenção de jogar uma partida de xadrez" (Investigations Philosophiques, section 337).
Como referenciar: justificação in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-13 20:22:21]. Disponível na Internet: