juventude

A noção de juventude, associada a um processo de transição entre estádios e/ou correspondente a uma faixa etária, encontra-se cada vez mais desatualizada. Tradicionalmente considerada como o período da vida que se estende da infância e/ou da adolescência à idade adulta, a noção de juventude sempre significou mais do que uma mera etapa do desenvolvimento físico-psicológico, encontrando-se esta noção intimamente relacionada com o estatuto social que os jovens têm vindo a assumir no contexto das sociedades ocidentais e industrializadas.

Efetivamente, aquilo que se designa por juventude varia, consideravelmente, consoante os vários tipos de sociedades em presença (1973, ARIÈS, Philippe - L'enfant et la famille sous l'Ancien Régime. Paris: Seuil; 1970, MEAD, Margaret - Le fossé des générations. Paris: Denoel).

A juventude é uma categoria socialmente construída, (re)formulada em contextos sociais, económicos e políticos particulares, uma categoria sujeita a modificar-se ao longo do tempo, produto de um complexo processo de construção social (1996, PAIS, José Machado - Culturas juvenis. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda).

A sua visibilidade social, enquanto grupo com características sociais específicas relacionadas com uma fase de vida, tornou-se objeto de consciência social, na segunda metade do século XIX, mediante o (re)conhecimento dos problemas e das tensões a ela associados. Teria sido o princípio do reconhecimento da existência de uma "cultura adolescente".

Neste sentido, por exemplo, surgem preocupações ao nível dos poderes públicos de então, essencialmente através da relação que se estabelecia entre essa cultura e o desenvolvimento de determinadas formas de marginalidade social e delinquência, designadamente em comunidades de emigrantes (Demos).

A necessidade do prolongamento da escolaridade, o incremento da legislação sobre o trabalho infantil, a própria configuração social da família contemporânea, com a correspondente dependência dos jovens face à família de origem, a proliferação das denominadas casas de correção para menores, entre outras medidas de carácter público, constituíram a verdadeira expressão da visibilidade social dos problemas específicos da juventude.

A noção de juventude adquiriu visibilidade social, como uma fase de vida situada algures entre a infância e a idade adulta, mediante o reconhecimento de problemas sociais que afetariam especialmente esta categoria.

Em Portugal, terá sido por alturas da década de 1960 que a juventude começa a emergir como questão social e, consequentemente, como objeto de consciência social. Revoltados diretamente contra o regime político de então e indiretamente contra as gerações mais velhas, os jovens portugueses terão chamado a atenção para determinados problemas que os afetariam, nomeadamente a fraca capacidade de resposta por parte das universidades portuguesas e a própria imposição da guerra do Ultramar, entre outros.

Desde então, o reconhecimento da existência de problemas sociais específicos que afetam particularmente a juventude em Portugal tem sido uma constante na cena científica nacional.

Atualmente, a juventude vivencia essencialmente problemas relacionados com o prolongamento desta fase de vida e com o subsequente retardamento na transição para o estado adulto (prolongamento da escolaridade, dificuldades na obtenção do primeiro emprego, dificuldades na obtenção de habitação, prolongamento da estada na casa dos pais, constituem apenas alguns dos exemplos a apontar).

A noção de juventude tem sofrido flutuações conceptuais ao longo das três últimas décadas. Inicialmente encarada como uma fase de vida própria e, por conseguinte, detentora de uma aparente unidade, isto é, a juventude era vista num contexto de homogeneidade em que prevalecia a procura dos aspetos mais uniformes que caracterizariam esta fase de vida, traços que fariam parte de uma cultura juvenil específica. Posteriormente, a postura sociológica que se impõe é de procurar não apenas as possíveis ou relativas similaridades entre os jovens ou os grupos de jovens, mas sim, e fundamentalmente, as diferenças sociais que entre eles existem.

Deste modo, quando efetuamos referências a jovens pertencentes às classes médias, a jovens operários, a jovens estudantes, a jovens trabalhadores, a jovens solteiros, a jovens casados, a jovens em contexto urbano ou a jovens em contexto rural, referimo-nos à juventude com sentidos diferentes, ou a diferentes juventudes, ou então, simplesmente, reconhecemos a existência das diferentes culturas juvenis.

A 12 de agosto, comemora-se o Dia Internacional da Juventude.


Como referenciar: juventude in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-07 04:39:37]. Disponível na Internet: