Karel Capek

Escritor checo, Karel Capek nasceu a 9 de janeiro de 1890, em Maké Svatonovice, Boémia, no então Império Austro-Húngaro. Filho de um médico de província, começou a escrever bastante cedo, tal como os irmãos, quando frequentava ainda o ensino secundário.
Em 1909 deu ingresso na Universidade de Praga como estudante de Filosofia, prosseguindo depois para Berlim e Paris. Apresentou a sua tese de doutoramento, dedicada aos métodos objetivos na Estética, em 1915, tendo sido bem acolhida nos meios académicos.
Com a deflagração da Primeira Grande Guerra, Capek passou a desempenhar as funções de bibliotecário, passando pouco tempo depois a tutor do filho do conde Vladimir Lazanský, que assumidamente defendia a independência do território checo. Em 1916 estreou-se como escritor ao publicar um livro, em coautoria com o seu irmão mais velho, Josef Capek, com o título Zárivé Hlubiny. No ano seguinte mudou-se para a cidade Praga, onde começou a colaborar com o jornal diário de maior tiragem, o Lidové Noviny, escrevendo colunas e artigos tão poéticos como bem-humorados.
Em 1921, após ter sido nomeado diretor do Teatro Nacional, fundou o seu próprio estabelecimento, o Teatro Artístico de Vinohradsky. A sua primeira obra havia sido precisamente uma peça de nome Lásky Hra Osudná que, embora escrita em 1910, só viria a palco vinte anos depois, em 1930.
Em 1922 e de novo em coautoria com o irmão, estreou Ze Zivota hmyzy, peça característica da sua obra dramática, que aborda temas filosóficos, e formulando uma abstração da vida real propícia ao livre desenvolvimento de símbolos, recorrendo muitas das vezes a elementos da ficção científica e da fantasia.
R.U.R., escrita em 1920 e estreada no ano seguinte, conta a história de um cientista que fabrica robots que acabam por substituir os homens no trabalho. A obra teria contribuído para a criação do célebre filme mudo de Fritz Lang, Metropolis (1926). Em 1934 o autor publicou uma trilogia de romances filosóficos, Hordubal, Povetron e Obycejný Zivot, em que se debruçava sobre os problemas resultantes da corrupção política em torno da criação da República Checa.
Em 1938 o país foi submetido à supremacia da Alemanha e Capek, grande defensor da soberania da sua pátria, começou a escrever talvez mais prolificamente do que aquilo que a sua saúde permitia. Sentindo fugir-lhe a vida, intensificou ainda mais o seu esforço criativo, pelo que acabou por falecer, vítima de pneumonia no dia de Natal de 1938, em Praga.
A sua obra foi interdita pelas autoridades alemãs após a invasão da Checoslováquia em 1939 e o seu irmão Josef foi enviado para um campo de trabalho, onde morreu em 1945.

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