Kaúlza Oliveira de Arriaga

General, professor e publicista português, Kaúlza Oliveira de Arriaga nasceu a 18 de janeiro de 1915, no Porto, e faleceu a 3 de fevereiro de 2004, em Lisboa, após ter sofrido da doença de Alzheimer.
Depois de concluir os estudos em Matemática e Engenharia, incorporou o Exército, como voluntário, a 1 de novembro de 1935, tendo terminado o curso de Engenharia Militar e Civil da Academia Militar, em 1939. Em 1949, concluiu o Curso do Estado-Maior e de Altos Comandos do Instituto de Altos Estudos Militares.
Como militar, dedicou-se à reforma dos sistemas de recrutamento e de instrução, preocupou-se com o desenvolvimento dos transportes aéreos militares e impulsionou o Corpo de Tropas Paraquedistas e a sua integração inicial na Força Aérea. Ficou conhecido sobretudo pelas campanhas que dirigiu em Moçambique, durante a guerra do Ultramar, principalmente a grandiosa operação "Nó Górdio" (1970), que resultou num enorme fiasco militar. Colaborador fiel de Oliveira Salazar e de Marcello Caetano, chegando a ser decisivo no aborto do golpe de Estado de abril de 1961, Kaúlza de Arriaga exerceu várias funções de carácter civil e militar, como a de Chefe de Gabinete do Ministério da Defesa Nacional (1953-1955), de Subsecretário e Secretário de Estado da Aeronáutica (1955-1962), de professor do Instituto de Altos Estudos Militares (1964-1968), do qual foi também dirigente, de presidente da Junta de Energia Nuclear (1967-1969 e 1973-1974), de administrador por parte do Estado e de presidente executivo da empresa de petróleos "Angol, SA" (1966-1969 e 1973-1974), de comandante das Forças Terrestres em Moçambique (1969/1970), de comandante-chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique (1970-1973). Para além disso, foi vogal do Conselho Ultramarino (1965-1969 e 1973-1974), presidente da Assembleia Geral da empresa de fibras sintéticas "Finicisa, SA" (1968-1969 e 1973-1974), presidente da Federação Equestre Portuguesa (1968-1971) e membro do Conselho da Ordem Militar de Cristo (1966-1974). Em 1977, criou o Movimento para a Independência e Reconstrução Nacional (MIRN), formação de extrema-direita da qual foi presidente e que foi extinta depois das eleições legislativas de 1980.
Três semanas após o 25 de abril de 1974, passou à reserva e, a 28 de setembro, ficou detido durante 16 meses. Não tendo culpa formada, foi libertado em janeiro de 1976. O general processou então o Estado português, tendo ganho a causa em 1987, altura em que o Tribunal Administrativo condenou o Estado a uma indemnização de 100 contos e 1 escudo.
Como publicista, escreveu vários artigos e livros dos quais se destacam Energia Atómica (1949), The Portuguese Answer (1973), Coragem, Tenacidade e Fé (1973), No Caminho das Soluções do Futuro (1977), Estratégia Global (1988), Maastricht - Pior ainda que o "25 de Abril"!? (1992).
Recebeu vários títulos honoríficos e condecorações militares, a nível nacional e estrangeiro, como: Oficial da Ordem Militar de Avis, Grande Oficial da Ordem de Mérito Militar (Brasil), Grau de Comendador da Legião de Mérito (EUA), Oficial da Ordem Militar de Cristo, Oficial da Legião de Honra (França), Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, com a Medalha de Mérito Aeronáutico de 1.ª Classe da Força Aérea, entre outras distinções.
Como referenciar: Kaúlza Oliveira de Arriaga in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-15 09:10:09]. Disponível na Internet: